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Palacete Alves Machado

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Palacete Alves Machado

O lote onde foi edificado o Palacete Alves Machado fazia parte dos terrenos que pertenceram aos frades cartuxos desde a primeira década do séc. XVII até à sua venda em hasta pública em 1834, após a extinção das ordens religiosas. Edificado em 1876, por iniciativa de João Alberto Lopes, foi logo vendido em 1879 a António José Alves Machado, que por morte a deixou ao seu irmão, Manuel Joaquim Alves Machado, então já distinguido com o título de conde. Ambos eram representantes da nova burguesia endinheirada, ligada aos negócios, que fizeram nome e fortuna no Brasil. Em 1899 a propriedade foi vendida ao Conselheiro Joaquim José Cerqueira, também emigrante regressado do Brasil, que a habitou até 1929, data em que arrendou o palacete ao Instituto de Estatística, inicialmente, e ao Colégio Feminino Francês, posteriormente. Em 1973, o imóvel foi adquirido pelo Estado, que, por sua vez, o vendeu à Fundação Oriente. Por fim, em Dezembro de 2015, a propriedade foi vendida a um grupo hoteleiro. O palacete, neoclássico, traduz um exemplar típico dos finais do Romantismo e um dos raros casos cujo programa decorativo original, datado de finais de Novecentos, chegou intato até aos nossos dias. A propriedade, murada, incluía a casa e um talhão ajardinado. O edifício, erguido a curta distância do muro exterior, apresenta planta quandrangular, que define quatro fachadas idênticas, estruturadas por um pano central de três pisos, ladeado por panos de dois pisos, apenas. Cada piso surge rasgado por janelas de sacada com guardas ornamentais. Nas esquinas do piso superior, sobre os panos laterais, evidenciam-se quatro varandas de planta retangular com balaústres, atualmente transformadas em marquises envidraçadas. A entrada é efetuada pela fachada principal, voltada à Rua do Salitre, através de duplo lanço de escadas, que se localiza no mesmo eixo de um portão aberto no muro exterior, flanqueado por dois óculos elipsoidais. O átrio, zona de comunicação ao interior, possibilita o acesso a escadaria de madeira em dois lanços simétricos semicirculares com guarda em ferro forjado, iluminada por claraboia, constituindo o coração da casa. A orgânica funcional do imóvel é caraterística da época, adaptada ao que à data se considerava uma moderna habitação burguesa, com salas comunicantes, salões nobres dispostos ao longo da fachada e áreas de serviço no piso térreo. No interior, o programa de pinturas decorativas foi executado pelo mais operoso dos pintores decoradores do séc. XIX, José Maria Pereira Júnior, mais conhecido por Pereira Cão, merecendo destaque: os medalhões em estuque e as pinturas em trompe-l'oeil de teto, sob a claraboia; as pinturas claramente românticas, traduzidas num conjunto de representações naturalistas, a óleo sobre tela, de fauna, flora e vistas idealizadas de Portugal, distribuídas ao longo dos patamares; as pinturas que abordam temas naturalísticos de cuidada execução e colorido, onde pontuam aves de jardim exóticas, que aludem à estadia no Brasil de alguns dos proprietários do imóvel; e, por fim, as pinturas murais fazendo alusão ao mundo greco-romano da Antiguidade Clássica, ao estilo frencês Luís XVI e ao neoárabe, que decoram as salas voltadas para a escadaria. O Palacete Alves Machado, incluindo o jardim e o património integrado, encontra-se Em Vias de Classificação.

Location

Rua do Salitre, 62-64
Lisboa

Region: Santo António

Coordenates: 
Date of update:
2019