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Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa

O Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa (LxCRAS), é um equipamento vocacionado para a recolha, tratamento e libertação de animais pertencentes à fauna autóctone portuguesa.

O seu objetivo principal é a recuperação de animais silvestres feridos ou debilitados, com vista à sua devolução ao meio natural (libertação), numa perspetiva de preservação e conservação da fauna espontânea.

Além desta atividade, promove também ações de divulgação e sensibilização junto do público, como visitas guiadas, ações de libertação e programas de voluntariado.

Em funcionamento desde Outubro de 1997, o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa foi criado na zona vedada do Centro de Interpretação de Monsanto como forma de colmatar a falta deste tipo de centros na Área Metropolitana de Lisboa e integra uma rede nacional de centros de recuperação, cuja regulamentação é definida pelo  Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Dada a natureza do LxCras, não é possível a realização de visitas a este equipamento, salvo raras exceções e sempre na presença de um técnico. Para mais informações, contacte o  Centro de Interpretação de Monsanto.


Ver filme  Lisbon and LxCras work for Conservation produzido pela organização não-governamental AidNature.

Ver  aqui reportagem transmitida no programa "Animais Anónimos", em 7 de fevereiro de 2016 na RTP1, sobre o LxCRAS.

Instalações do LX Cras no Parque Florestal de Monsanto

Instalações

O LX Cras dispõe de:

  • Clínica constituída por uma enfermaria e bloco operatório, equipada com todo o material clínico necessário para prestar os cuidados veterinários comuns neste tipo de centros, como a realização de radiografias, análises diversas e intervenções cirúrgicas.
  • Unidade de Cuidados Intensivos (Área de Acesso Restrito). Sala contígua à clínica constituída por pequenos compartimentos destinados aos animais que, após passarem pela clínica, necessitam de permanecer em tratamento e/ou sob vigilância permanente em períodos pós-operatórios ou ainda por necessidade de restrição de movimentos.
  • Biotério. Local onde se reproduzem e desenvolvem aves, mamíferos e insetos para a alimentação de animais internados. Aqui, existem viveiros de reprodução de presas vivas, nomeadamente pequenos mamíferos (ratos do campo), aves (codornizes) e insetos, que são essenciais para que os animais em recuperação tenham uma alimentação tão próxima do natural quanto possível. Assim, é também possível avaliar o comportamento dos animais na captura das presas e em competição com outros predadores.
  • Parques de Reabilitação (Área de Acesso Restrito).Existem 9 parques (gaiolas de grandes dimensões), com condições para aves de rapina noturnas ou diurnas de pequeno e médio porte e aves aquáticas. É aí que são realizados os testes às reações físicas e instintivas de cada animal, após terem alta da clínica. Esta é a fase fundamental da recuperação, permitindo concluir sobre a viabilidade ou não da libertação de cada animal, através da avaliação do seu comportamento em caça e voo.
  • Túnel de Voo (Área de Acesso Restrito). Construído em 2007, destina-se à recuperação das capacidades de voo de aves de médio e grande porte.
  • Parque de Irrecuperáveis. Em funcionamento desde outubro de 2001, esta área acolhe inúmeros animais que, devido à intervenção do homem, se veem impedidos de sobreviver em meio selvagem, sendo por diversas razões considerados irrecuperáveis, isto é não serão libertados na Natureza. Esta situação deve-se às condições a que foram sujeitos, na sua maioria são vítimas de pilhagem e cativeiro originando lesões físicas e psicológicas irreversíveis.É constituído por oito parques de dimensões variadas, com capacidade para albergar diversos animais, dependendo do seu porte. Trata-se de uma área totalmente dedicada à sensibilização e educação ambiental. Esta área poderá ser visitada com acompanhamento por um guia.

O que fazer se encontrar um animal ferido

Se encontrar um animal ferido ou debilitado...

  • Aproxime-se com cuidado, pois o animal ferido pode ser agressivo;
  • Cubra-o com uma toalha ou peça de roupa, de forma a privá-lo da visão;
  • Coloque-o dentro de uma caixa de cartão perfurada e com tiras de jornal no fundo;
  • Contacte um centro de recuperação para obter informações sobre a forma de lidar com o animal;
  • Caso o animal não possa ser transportado para um centro nas próximas horas, deve manter a caixa num local escuro e calmo.

Atenção, deve também ter em consideração que...
Todos os anos muito animais juvenis são entregues no LxCRAS, porém muitos deles não necessitam de ajuda e acabam por se tornar órfãos. Por isso é importante saber que:

  • Se encontrar um animal juvenil, com aspeto saudável, sem fome e capaz de andar, não o moleste, deixe-o no mesmo local ou encaminhe-o para um local próximo mais seguro, caso este se encontre perto de uma estrada.
  • As aves, nomeadamente noturnas, deixam o ninho antes de saber voar, trepam ao longo dos ramos e, por vezes, caem das árvores. Por isso, observe se os pais estão cuidar das suas crias. Coloque-as no ninho apenas se necessário.
  • Em meios rurais, os celeiros são muitas vezes utilizados por corujas para fazer os seus ninhos. Não as moleste, lembre-se que estes animais se alimentam de pequenos roedores.
  • É comum os animais juvenis estarem sozinhos, sem os progenitores. Mas isto não significa que estejam abandonados.
  • Se encontrar um animal fraco, com dificuldade em deslocar-se ou que apresente ferimentos, recolha-o e entregue-o num centro de recuperação.
  • Nunca fique com um animal com intenção de o recuperar. Um animal que é mantido em cativeiro perderá a possibilidade de sobreviver no seu habitat natural, tornando-se incapaz de se alimentar pelos seus próprios meios, além de perder a capacidade de defesa, não reconhecendo os outros como predadores.
  • Sempre que entregar um animal ferido ou debilitado poderá obter informações sobre o estado clínico do animal entregue. Além disso, se a recuperação for efetiva pode ainda assistir à sua libertação, sempre que possível. No entanto, não é permitido visitar os animais em recuperação, apenas os que estão no Parque de Irrecuperáveis.
  • Como voluntário, pode participar nas atividades de manutenção, recuperação ou dinamização e nas ações de libertação sempre que se interesse pelo processo de recuperação de um determinado animal.

Que animais recebe o LX CRAS?

O LxCRAS apenas recebe espécies silvestres da fauna autóctone Portuguesa.
Exemplo de algumas espécies de animais tratadas no LxCRAS ao longo dos anos:

 

  • Águia de asa-redonda;
  • Águia de Bonelli;
  • Bufo real, Cegonha;
  • Falcão peneireiro;
  • Gaio, Gaivota;
  • Ganso-patola;
  • Garça-real;
  • Grifo;
  • Ouriço-cacheiro.