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BIP ZIP em rede de oito cidade europeias

11, Setembro 2018
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    BIP ZIP em rede de oito cidade europeias

Partilhar a Estratégia de Desenvolvimento Local de Lisboa é o objetivo da reunião que teve início no dia 11 de setembro, nos Paços do Concelho, juntando as cidades de Aalborg (DK), Bari (IT), Ostrava (CZ), Lublin (PL), Sofia (BG), Haia (NL) e Lille (FR). A ideia é dar a conhecer o exemplo de Lisboa como boa prática de desenvolvimento urbano, um trabalho comum que se pode ver tanto na forma de envolvimento de entidades locais e da própria comunidade, como nos mais de 300 projetos concretos já no terreno, salientaria na sessão de abertura a vereadora Paula Marques, responsável pelo pelouro da Habitação e Desenvolvimento Local.

A estratégia de desenvolvimento local desenvolvida pela Câmara Municipal de Lisboa foi considerada uma referência internacional na gestão de cidades pela rede URBACT, que a tem levado até aos seus parceiros - cerca de 210 municípios de toda a Europa. É no âmbito deste esforço que surge o presente encontro na capital portuguesa, que permitirá aos representantes da cidades presentes saber não só o que é a estratégia BIP ZIP, mas também os instrumentos que usa – desde a Carta BIP ZIP, definindo bairros (BIP) e zonas de intervenção prioritária (ZIP), ao programa de parcerias locais (Energia BIP ZIP), e à rede de GABIPS (Gabinetes que reúnem os parceiros local para pensar e dar apoio a determinado território).

O Bairro Padre Cruz, onde a estratégia BIP ZIP tem estado presente desde o início da requalificação desde que é o maior bairro da península ibérica, foi o primeiro ponto do conjunto de visitas e encontros que os representantes das oito cidades vão realizar ao longo dos próximos dois dias. Isto enquanto não chegam, já a partir de quinta-feira, dia 13, cerca de outros 600 representantes de diferentes municípios que se congregam em Lisboa para o URBACT City Festival, a reunião anual das cidades sobre as políticas para um desenvolvimento urbano sustentável.
 
Entre as preocupações das cidades que se juntam nesta reunião anual estão questões relacionadas com a forma como devem evoluir para se tornarem mais igualitárias, mais capazes de acolher novos habitantes, de atrair novos campos de atividade, combater o desemprego ou preparar o embate das mudanças climáticas.

 

Um Laboratório para a Participação

O dia seguinte, dia 12 de setembro, foi dedicado ao URBACT City Lab, subordinado ao tema “How Can We Increase Levels of Citizen Particpation in Urban Decision-Making?”, que decorreu nas instalações do Lisboa Story Center que teve como objetivo reunir representantes locais de diferentes cidades europeias para debaterem, ouvirem e pensarem acerca de estratégias de integrar cada vez mais os cidadãos nos processos decisórios e na participação da cidade. 

Lisboa esteve representada pela vereadora Paula Marques que partilhou com os presentes as diferente estratégias que Lisboa tem adotado no sentido de promover a participação de todos nas decisões políticas da cidade. A vereadora da habitação e desenvolvimento local lembrou também que os novos desafios de um mundo global colocam desafios às cidades que não podem encontrar respostas isoladas para os seus problemas, por isso há a necessidade de encontrar pontes, conectar cidades e promover a participação de todos nas soluções e na gestão de recursos. Lisboa, afirmou Paula Marques, está empenhada em combater a segregação, o isolamento e uma sociedade fechada, onde o argumento da segurança surge como palavra demagógica para justificar encerramento de fronteiras e o isolamento: “Lisboa é uma cidade apostada na construção de um mundo livre que começa a nível local para se estender ao plano global”, afirmou. 

Entre as respostas adotadas pela cidade a vereadora salientou o Orçamento Participativo e, sobretudo, os programas BIP-ZIP como estratégias centrais para identificar e criar instrumentos para empoderar as comunidades e territórios mais carenciados da cidade, outras formas de co-governance envolvendo departamentos locais, empresas municipais e a reforma administrativa da cidade ocorrida nos últimos anos que elevaram a qualidade participativa dos cidadãos. Paula Marques terminou a sua intervenção desejando a todos um excelente dia de trabalho. 

Ao longo do dia, vários painéis foram tendo lugar onde se discutiram as relações do território e da paisagem na forma como influencia as comunidade, novas estratégias de participação com destaque para a apresentação do modelo de Lisboa de intervenção local.

URBACT City Festival

A 3.ª edição do URBACT City Festival, a decorrer no Pátio da galé, dias 13 e 14 de setembro, congrega o trabalho feito nos últimos três anos por 20 redes internacionais e mais 210 cidades europeias. Lisboa será assim a montra de soluções desenhadas e testadas pelos parceiros, como formas de atuação inovadoras e inteligentes para a resolução dos problemas urbanos.

A Estratégia de Desenvolvimento Local - BIP ZIP, e o programa Lojas com História, da Câmara Municipal de Lisboa, são duas das boas práticas em destaque, entre outras, escolhidas por estas agências europeias como exemplos para a discussão do que deve ser o futuro das cidades.

As sessões no Pátio da Galé, local principal do festival, serão intercaladas com visitas externas que vão permitir os participantes compreender melhor Lisboa e explorar os diferentes aspetos dos seus desenvolvimentos recentes.
 
O URBACT permite que as cidades trabalhem em conjunto para desenvolver novas e sustentáveis soluções para grandes desafios urbanos, através de redes, partilha de conhecimento e construção de capacidades para os profissionais urbanos. Este programa europeu de cooperação territorial promove o desenvolvimento urbano integrado sustentável nas cidades de toda a Europa. É financiado pelo Fundo Europeu de desenvolvimento regional e pelos Estados-Membros e parceiros da UE desde 2002. 

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