Recolha de lixo no Parque das Nações: o maior aspirador do mundo

25, Janeiro 2019
O sistema pneumático instalado naquela área da cidade, há duas décadas, permite recolher os resíduos com mais eficácia e higiene.

Desde o final dos anos 90 que a recolha de lixo no Parque das Nações é feita por um sistema automático de tubagens instaladas entre os prédios e três centrais.

Resultado: não há caixotes na rua, as pessoas não necessitam de sair do prédio para depositar os seus resíduos, o processo de recolha é mais rápido e mais limpo. No âmbito de uma visita técnica a uma das centrais, fomos ver como funciona.

Designado por Sistema Pneumático e construído no âmbito da Expo98 e do plano de requalificação ambiental e urbanístico da zona, é composto por uma rede de 20 km de tubagens subterrâneas horizontais, tubos verticais nos prédios e cerca de 1465 válvulas de descarga, que fazem dele o "maior do mundo". Tem sido construído e atualizado faseadamente, consoante o desenvolvimento urbanístico da área, e em 2018 foi novamente alargado.

Um "aspirador gigante"

A recolha opera em ambientes habitacionais, comerciais e empresariais, que estão dotados de uma rede de tubos verticais onde os resíduos são inseridos pelos utilizadores. O lixo cai numa válvula de descarga que, de acordo com a programação da central, é aberta periodicamente para que caia na tubagem horizontal. O transporte até às estações, onde são diretamente depositados em contentores, é feito através de uma corrente de ar promovida por outra válvula, que conduz os resíduos a cerca de 70 km por hora.

Este “aspirador gigante” tem a função da tradicional recolha seletiva porta a porta, uma vez que todos os edifícios estão equipados com comportas específicas para os resíduos indiferenciados e recicláveis (papel/cartão e embalagens). O vidro foi, em 2012, excluído deste sistema, devido a problemas de corrosão nas tubagens e ao estado em que o material chegava às centrais. Introduziram-se, então, nestas localidades, vidrões.

Estão definidos dias específicos para a deposição e descarga dos diferentes resíduos, os contentores na central são depois transportados por veículos pesados até às respetivas estações de tratamento ou incineração, consoante o tipo de lixo.

Durante a visita foi ainda possível perceber o processo de filtragem do ar que passa nas tubagens. Depois da descarga, o ar utilizado é enviado para uma sala de filtros que retira quaisquer partículas e odores que possa ter e, posteriormente, o devolve à atmosfera em condições ambientais seguras.

O sistema, atualmente sob a responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa e operacionalizado, por contrato, pela empresa Envac Iberia, tem vindo a ser alvo de melhorias  destinadas à sua otimização e atualização. Para breve está também prevista uma campanha de sensibilização destinada à correta separação dos resíduos.