Intervenção social, Município

150 anos a pensar nos mais necessitados

13, Novembro 2018
Teresa de Saldanha, fundadora da congregação das Dominicanas de Santa Catarina de Sena, foi lembrada no dia 13 de novembro, em Alfama, 150 anos depois do início da sua obra em prol dos mais desfavorecidos.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, assinalou os 150 anos do trabalho pioneiro em defesa da dignidade feminina de madre Teresa de Saldanha, descerrando em Alfama uma placa comemorativa no local onde a religiosa iniciou a sua atividade. “Um dia de memória de alguém com uma visão muito grande antes do tempo, sobretudo na educação de jovens, com a preocupação de combater a exclusão e contribuir para a dignidade de todos. Este é também um momento de futuro e de pensar que podemos andar para a frente, ajudando os mais vulneráveis a encontrar o seu caminho”, afirmou. 

Foi um momento de festa no bairro, onde não faltou Fado, poesia e um coro de jovens do Externato de São José e do Lar Madre Teresa de Saldanha. De seguida o edil, acompanhado pela presidente da Junta de Freguesia de São Vicente, Natalina Moura, visitou o Núcleo de Apoio Local “NAL” no Campo de Santa Clara, que conta com o apoio financeiro da autarquia e é gerido pela “Associação João 13”, antiga “Fábrica dos Botões”, que hoje presta apoio aos sem-abrigo e onde outrora Teresa de Saldanha acolhia meninas carenciadas.

Uma vida pelos pobres

Há 150 anos, no dia 13 de novembro de 1868, Teresa de Saldanha deu início à missão evangelizadora da congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, na Calçada do Cascão, n.º 5, Bairro de Alfama. Para comemorar esta data, a congregação convidou as pessoas a estarem presentes naquele local para “uma breve homenagem”, onde foi colocada uma placa que assinala a obra desta Irmã. Na antiga Fábrica dos Botões foi servido um jantar a algumas pessoas que vivem sem abrigo, apoiadas pela “Associação João 13”.

De salientar que nesta antiga fábrica Teresa de Saldanha acolhia famílias carenciadas e crianças que ali trabalhavam duramente e em situação de pobreza extrema. Segundo antigos relatos, meninas de 12, ou mesmo 20, aparentavam ter oito anos de idade devido ao estado de fraqueza em que se encontravam. Madre Teresa fundou nesse local uma escola nocturna para dar instrução a estas jovens que trabalhavam na fábrica cerca de 14 horas por dia. Hoje a ”Associação João 13”, fundada por Frei Filipe Rodrigues, também Dominicano e pároco da Igreja do Alto dos Moinhos em Benfica, acolhe naquele espaço população sem-abrigo.

Cerca de 40 utentes podem, diariamente, aí tomar banho e receber, numa sala de convívio, uma refeição quente. Nesta mesma sala irá ficar exposto um quadro com Teresa de Saldanha, em homenagem ao trabalho que desenvolveu com os mais humildes.

Maria da Conceição Mascarenhas, voluntária no NAL, trabalhou durante 40 anos como enfermeira na área da saúde pública. “Faço este trabalho por amor e porque estas pessoas precisam de ajuda. Estes projectos são muito importantes na nossa cidade”, disse. 

Conheça a história da madre Teresa de Saldanha 

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