Cultura e Lazer

40 anos do Teatro Aberto

30, Junho 2016
Em tempos de celebração dos 40 anos do Teatro Aberto, a companhia não se pode queixar de falta de presentes. Fernando Medina anuncia aprovação de novo plano para a Praça de Espanha onde que o teatro ganhará nova centralidade e o Presidente da República anunciou a atribuição de o grau de membro honorário de mérito da instrução pública.

A 25 de maio de maio de 1976 nascia o Teatro Aberto (que primeiro se chamou Grupo 4 e depois Novo Grupo). Durante décadas ocupou o teatro que construiu num dos topos da Praça de Espanha, onde a companhia se consolidou e levou à cena espetáculos do reportório brechtiano e divulgou vários autores da dramaturgia contemporânea. Em 2002, depois de um processo iniciado com Kruz Abecassis e terminado com João Soares, a companhia  passou a ocupar o novo teatro construído pela Câmara de Lisboa, de que o Novo Grupo ficou como concessionário. Recentemente a gestão do edifício passou para a EGEAC. 

Foram muitos os convidados, entre os quais muitos atores que passaram pela companhia, que quiseram estar presentes nas celebrações da data.  O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina foram os convidados de honra e subiram ao palco para uma breve conversa com João Lourenço, diretor do Teatro Aberto. Antes foi projetado filme sobre a história da companhia, desde os seus primórdios até aos dias de hoje, intitulado Olhar e voltar a olhar. 

Na abertura, João Lourenço começou por agradecer a presença de todos, referindo que a transferência  da competência do edifício para a EGEAC como forma de agilizar os aspetos de gestão do equipamento. “Estes últimos 4 anos foram dramáticos – disse o diretor do Teatro Aberto – o governo anterior quis acabar por connosco após nos impor um corte de 73%. Tivemos espetáculos com muito êxito e trabalhamos todos para manter o teatro”, manifestando a esperança de que os apoios venham a ser repostos nos próximos concursos. 

Fernando Medina começou por dar os parabéns a todos aqueles que construíram esta realidade ao longo destes anos, acrescentando também que a construção do teatro pela Câmara foi um dos elementos mais positivos que aconteceram à Praça de Espanha nas últimas décadas. O autarca espera ver melhorias da Praça de Espanha, num futuro próximo, agora que o plano para aquele eixo foi aprovado em sessão de câmara. A expansão do IPO, a resolução do mercado provisório no topo norte da praça, a resolução sobre a posse dos terrenos, “reúnem agora as condições para a requalificação da Praça de Espanha onde o Teatro Aberto irá encontrar uma maior centralidade”, disse. “este teatro é uma realidade viva, com alma, com tudo para dar certo no futuro. Que se continue aqui a fazer muito e bom teatro”, rematou. 

Marcelo Rebelo de Sousa relembrou as primeiras vezes que assistiu a peças no antigo Teatro Aberto, onde a relação com as vivências políticas da época estavam muito presentes. Enquanto candidato a presidente da câmara, vereador e deputado municipal, o atual Presidente da República lembrou os encontros com João Lourenço durante o período de indefinição e atraso na construção do atual teatro. Refletindo sobre as razões do afastamento do público relativamente ao teatro, Marcelo Rebelo de Sousa, identifica os problemas de educação, de sensibilização, “que é o mesmo que dizer, um problema de democracia” que será preciso resolver para possibilitar renovação de novos públicos.  “A minha vinda aqui tem o significado de agradecer este passado que o Teatro Aberto lega. Louvar o passado é apostar no futuro”. Marcelo Rebelo de Sousa anunciou então que irá agraciar a companhia com o grau de membro honorário de mérito de instrução pública. 

João Lourenço, emocionado, agradeceu a distinção. 

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