"A Cerimónia do Adeus - o funeral de Estado de Mário Soares visto pelos fotógrafos"

06, Janeiro 2018
  • Exposição "a Cerimónia do Adeus"
    Exposição "a Cerimónia do Adeus"

Decorreu no Cemitério dos Prazeres, no dia 7 de janeiro - um ano após a morte do antigo Presidente da República - a inauguração da exposição "A Cerimónia do Adeus - o funeral de Estado de Mário Soares visto pelos fotógrafos", que fica patente na nova galeria de exposições temporárias, na capela do cemitério.

No ato inaugural, que contou com grande concorrência de público, estiveram presentes o Presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e diversos deputados, o primeiro ministro, António Costa, e outros membros do Governo, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e vários vereadores, a presidente da Assembleia Municipal, Helena Roseta, e amigos e familiares de Mário Soares, como os filhos Isabel e João Soares e os netos.

Após os toques de silêncio por terno de clarins da Guarda Nacional Republicana, as mais altas individualidades do Estado depositaram flores junto ao jazigo da família Barroso Soares, dirigindo-se então para a capela do cemitério, exígua para albergar tanta gente que acorreu para prestar esta homenagem ao antigo Chefe de Estado - e onde se podia encontrar numerosos amigos de Mário Soares, gente da cultura e das artes, capitães de Abril, como Vasco Lourenço, políticos, jornalistas e fotógrafos, a par de muita gente anónima.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, na qualidade de anfitrião desta cerimónia de homenagem e de "gratidão e saudade", lembrou Mário Soares como uma figura sempre presente na "inspiração que todos os dias nos dá para o futuro", através dos ideais e valores por que se bateu: "liberdade, justiça, desenvolvimento e paz". Para o autarca, Mário Soares, recordado também como "alfacinha de gema, patriota, europeu convicto e cidadão do mundo", é homenageado por fotógrafos que nos deixam "imagens de intensa beleza e simbolismo". "O legado de Mário Soares é o legado da modernidade", concluiu Fernando Medina.

João Soares, filho do antigo Presidente da República, evocou as cerimónias fúnebres de há um ano como "uma inolvidável despedida, um adeus português no primeiro funeral de Estado no Portugal democrático". Agradecendo a iniciativa desta homenagem "num dos mais belos cemitérios da Europa" ao "amigo de longa data" José Manuel dos Santos, à Associação dos Amigos dos Cemitérios de Lisboa, na pessoa do seu presidente Jorge Ferreira, à Câmara Municipal de Lisboa, nas pessoas dos seus presidente e vice presidente, Fernando Medina e Duarte Cordeiro, João Soares estendeu os agradecimentos aos trabalhadores do Município, de quem foi "colega durante doze honrosos anos". O filho do desaparecido Chefe de Estado recordou ainda diversos episódios da vida de seu pai, nomeadamente, nos tempos de combate à ditadura, que tiveram lugar nos cemitérios da cidade, como os que aconteceram nos funerais de Bento Jesus Caraça, em 1948, de Mário Azevedo Gomes, em 1965, ou a trasladação dos restos mortais de Jaime Cortesão para o Alto de S. João, em 1968.

Também a filha de Mário Soares, Isabel Soares, lembrou o cortejo fúnebre de há um ano, "de trágica beleza", para realçar que o pai, que "amava a democracia e a tolerância", não deixava de "amar a vida". Honraremos a sua memória e manteremos viva a sua imagem", assegurou Isabel Soares. Também Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, evocando a personalidade de Mário Soares, destacou que "a tolerância era a sua forma de estar na vida", granjeando admiração geral para "nunca precisar de ser populista para ser popular".

Encerrando as intervenções da homenagem, antes da visita à exposição, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhou ser a liberdade a "causa cimeira de Mário Soares", usando de "coragem intelectual e cívica contra a ditadura". O estadista dirigiu-se à memória de Mário Soares com as seguintes palavras: "Obrigado por ter sido quem foi, e pelo que deu a Portugal, à liberdade e à democracia". No final, depois de manifestar a convicção de que Mário Soares, "um ano depois, continua vivo", instou os presentes a com ele entoarem o Hino Nacional.

A exposição consta de 49 fotografias de outros tantos fotógrafos, incluindo profissionais do Município, e retrata diversos momentos do cortejo fúnebre e da deposição da urna no jazigo da família Barroso Soares. José Manuel dos Santos, amigo de longa data de Mário Soares, é curador da exposição, organizada pela Câmara Municipal de Lisboa com o apoio da Associação dos Amigos dos Cemitérios de Lisboa.



Veja aqui o catálogo da exposição

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