Investir

Apresentação do estudo Empresas Privadas e Municípios

26, Abril 2016
Teve lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a apresentação de um estudo levado a cabo pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) que procura relacionar as práticas institucionais dos municípios com o crescimento económico e o ciclo de vida das empresas privadas fixadas nesses concelhos.

A apresentação do estudo foi seguida de um debate que contou com a presença de Fernando Medina, presidente da CML, Berta Nunes, presidente da Câmara de Alfândega da Fé, Nuno Magalhães, da FFMS, José Tavares, autor do estudo, António Leitão Amaro, ex-secretário de estado dos assuntos locais e deputado na Assembleia da República e Nuno Garoupa presidente da FFMS. 

Pedro Magalhães começou a apresentação do estudo caracterizando-o como “um estudo fundador que lança algumas linhas de investigação para o futuro”, fazendo o seu enquadramento nas várias áreas prioritárias de investigação de estudos da Fundação. 

José Tavares um dos coordenadores do estudo, ao lado de Ernesto de Freitas e de João Pereira dos Santos, salientou a grande diferença entre os diferentes municípios nas suas categorias. O estudo não engloba nenhuma empresa municipal. O estudo pretende encontrar qual o desempenho das instituições na vida e na morte das empresas privadas e quais os mecanismos causais que as diferentes práticas municipais têm na vida das empresas privadas. 

António Leitão Amaro deu conta da sua experiência enquanto secretário de estado dos assuntos locais, da convicção de como a intervenção das autarquias, com a apresentação de boas contas, pagamentos atempados e o esforço de equilíbrio financeiro dos municípios possuem forte impacto na promoção da economia local. 

Berta Nunes começou por fazer a caraterização do seu município em que a atração e fixação de empresas é uma função essencial para combater a desertificação dos pequenos municípios. Salientou a importância do controle de endividamento das autarquias. Salientando a importância do estudo mas que este deverá levar em conta as especificidades de cada autarquia. 

Fernando Medina referiu que cada vez mais as grandes resoluções globais estão nas mãos do poder local e em boa hora este estudo chega. No entanto, alguma prudência deverá ser levada em conta, nomeadamente nas dinâmicas territoriais que estão para lá dos ciclos políticos. Lisboa e Porto têm crescido de formas assimétricas, crescendo na sua periferia e esvaziando-se nos seus centros, estando para além do mérito de qualquer autarca. Outra tendência no território foi visível na constituição de uma rede de cidades de média dimensão, sobretudo na região centro e litoral. Outra dimensão prende-se com a heterogeneidade dos munícipes do país, havendo em Lisboa freguesias com mais habitantes do que algumas capitais de distrito do país. Outro ponto ainda mostra menos a dinâmica dos municípios e mostra muito mais a dinâmica da crise. Esta foi uma crise transversal no território nacional, contrário às crises anteriores. Os números mostram também a capacidade de conversão no auto emprego de muitos do que surge como empreendedorismo nacional. Fernando Medina referiu também a importância de criar uma abordagem qualitativa sobre esta abordagem quantitativa, de modo a apreender as especificidades que os números em bruto escondem. Outro dos fatores a ter em conta prende-se com a distribuição dos quadros comunitários de apoio que são decisões exógenas ao poder local, sendo tomadas essencialmente no âmbito do poder central, fazendo com que sejam sempre as mesmas regiões a beneficiar. As lideranças políticas fazem a diferença nestes processos e por vezes investimentos e decisões fazem todas as diferenças e que nem sempre se pautam pelo racional do homo economicus tão caro aos economistas. 

Após as intervenções da mesa a palavra foi passada ao público que teve oportunidade de questionar algumas das conclusões do estudo. 

O estudo está disponível gratuitamente para descarga no Opens external link in new windowsite da Fundação Francisco Manuel dos Santos. 

Array
Mais notícias sobre:
Investir