Cultura e Lazer

Apresentação do livro O País a Régua e Esquadro, sobre a obra de Duarte Pacheco

23, Maio 2016
Teve lugar na sala de reuniões do Instituto Superior Técnico a sessão de apresentação da obra O País a Régua e Esquadro – Urbanismo, Arquitetura e Memória na obra pública de Duarte Pacheco. Trata-se da reedição da obra lançada em 2012 baseada na tese de doutoramento da autora Sandra Vaz Costa e que constituiu numa obra de referência do engenheiro que redesenhou a cidade de Lisboa. Fernando Medina salientou o que a cidade ainda deve a Duarte Pacheco.

A sala que foi pequena muitos dos  convidados que não quiseram faltar a este lançamento editado pela  IST Press, editora do Instituto Superior Técnico, especializado em obras técnicas e de divulgação. 

Ana Tostões, arquiteta e professora universitária, que tem desenvolvido investigação em história da arquitetura e arquitetura do século XX, que assina o prefácio do presente livro, salientou o desafio que foi a construção desta obra sobre Duarte Pacheco, que acompanhou enquanto co-orientadora de doutoramento. Ana Tostões lembrou também a capacidade multifacetada do engenheiro que partiu da sua formação como engenheiro eletrotécnico, função que nunca exerceu, que passou pela presidência da Câmara de Lisboa e depois, enquanto ministro das obras públicas, se destacou como o mais influente urbanista português cujas as diretrizes se prolongaram muito para além da sua morte com 43 anos, num acidente de viação em 1942. 

Sandra Vaz Costa, autora da obra, destacou a capacidade de trabalho e a carreira meteórica e intensa de Duarte Pacheco, salientando os aspectos que ajudaram a construir o mito em torno do homem, explorado pelo estado novo e que perdurou até hoje.  A autora salientou também aqueles que são também aqueles que acompanharam ao longo da sua obra, que permitiram a sua ascensão, a quem escutava atentamente, e que escolhia criteriosamente. "Estas equipas que ficaram na sombra ajudaram à ascensão do mito", afirma a autora. As motivações que o moveram, entre as quais a construção do Instituto Superior Técnico tal como existe hoje e as fontes consultadas que estiveram na origem desta dissertação foram outros aspetos mencionadas por Sandra Costa.

Fernando Medina, orador convidado para este evento, começou por saudar o IST pelos 105 anos da sua fundação que hoje se celebra e que enquadra esta reedição. O autarca começou por lembrar a forte presença do legado de Duarte Pacheco que ainda hoje perdura e a responsabilidade que representa para qualquer presidente da Câmara que hoje exerça estas funções. No entanto, salientou Fernando Medina, o percurso de Duarte Pacheco assenta num contexto histórico particular que em democracia não seria possível o que invalida qualquer comparação. Fernando Medina salientou como marca essencial de Duarte Pacheco a capacidade de projeção e de construção do futuro, que determinou o seu exercício do poder, pensando muito para além do que a resposta ao imediato e entre os aspetos a salientes da sua atuação estiveram as política de expropriações, que pode exercer  e que permitiu a expansão urbana da cidade nos moldes que hoje se conhecem e que tornaram a CML na principal proprietária de terrenos da cidade de Lisboa. Eixos e estruturas fundamentais da cidade como a zona portuária, a autoestrada de Cascais (A5), o aeroporto, dão conta desse olhar de futuro que determinou a sua intervenção. Por último, Fernando Medina chamou a atenção para a planificação e construção do bairro de Alvalade, que permitiu uma construção a custos controlados, e que hoje constitui ainda um modelo que se procura replicar. Exemplo disso é precisamente o programa de renda controlada que a CML está hoje a implementar só é possível graças a este legado que fez da CML proprietária de muitos terrenos da cidade e que permite  uma redução de custos que se reflete nas rendas a serem praticadas. O processo inspirador de Duarte Pacheco é por isso ainda hoje uma realidade. 

A obra lançada, profusamente ilustrada, vem dividida em cinco partes, assente num critério cronológico, e traça o arco meteórico que foi a sua carreira  e a influência de Duarte Pacheco, cujo o legado modificou perenemente o perfil da cidade de Lisboa, ao mesmo tempo que apresenta o retrato e a paisagem política, económica e social de toda uma época.  

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