Intervenção social, Município

Ativada a fase amarela do Plano de Contingência para pessoas sem-abrigo

09, Janeiro 2019
O pavilhão do Casal Vistoso está agora transformado em centro de acolhimento, onde as pessoas podem tomar um banho, recebem roupa quente, tomam refeições e são encaminhadas para locais de pernoita.

Ao final da tarde de hoje foi ativada em Lisboa a fase amarela do Plano de Contingência para as pessoas sem-abrigo, que implica a instalação de um centro de acolhimento no pavilhão do Casal Vistoso, uma maior permanência das equipas de apoio na rua e o encaminhamento dos cidadãos nestas condições para locais de pernoita.

No Casal Vistoso as pessoas podem tomar um banho, recebem roupa limpa, são-lhes servidas refeições quentes e apoio médico se necessário, explicou o vereador com o pelouro dos Direitos Sociais, Manuel Grilo. Têm ainda apoio psicossocial e, caso ainda não estejam sinalizadas, fica registada a sua situação, para posterior acompanhamento. 

O apoio é prestado por um contingente multidisciplinar que envolve diariamente cerca de 90 pessoas divididas por três turnos, entre proteção civil, bombeiros, médicos, enfermeiros, voluntários do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA), técnicos do Departamento dos Direitos Sociais da autarquia, Polícia Municipal, motoristas, entre outros. 

A fase amarela do plano é acionada sempre que as previsões apontam para temperaturas mínimas de três graus centígrados e dura enquanto se mantiverem as condições climatéricas. Manuel Grilo clarifica que a temperatura não é aferida apenas pelos termómetros mas também por fatores que conduzem à percepção de frio, particularmente o vento, previsto para os próximos dias. O pavilhão estará por isso aberto “até ser necessário”, diz.  

Prevê-se que diariamente serão atendidas cerca de duas centenas de pessoas em situação de sem-abrigo, explica o vereador, número que poderá aumentar ligeiramente, adianta. Manuel Grilo faz ainda o apelo para que sejam feitos donativos no pavilhão de roupas, calçado quente, roupa interior e cobertores.  

"Vou comer e tomar um banhinho"

"Se for possível venho cá todos os dias", diz Paulo Santos, "há muito tempo mesmo na rua". Porquê, perguntamos, "problemas pessoais". Dorme na Almirante Reis e durante o dia arruma carros.  

Tem 50 anos, antes de vir parar à rua fez um curso de jardinagem na Moita, ainda exerceu a profissão, de que "gostava muito", e depois foi trabalhar numa padaria que entretanto faliu. Esteve em Inglaterra uns tempos com a irmã, mas desavenças familiares fizeram-no regressar e acabou na rua.

Soube da abertura do pavilhão por um companheiro, "vim cá ter a pé e agora vou comer, tomar um banhinho e trocar de roupa", a noite será passada na Lapa, num centro de acolhimento.  

"Amanhã venho cá tomar o pequeno almoço", diz com ar satisfeito, já com a sopa de agriões comida e enquanto ataca o prato de bacalhau com natas. A sobremesa há-de ser arroz doce, também há pão, sumo, água, chá ou café.

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