Município

Câmara Municipal de Lisboa lamenta o desaparecimento de Júlio Pomar

22, Maio 2018
O pintor Júlio Pomar nasceu em Lisboa a 10 de janeiro de 1926. Morreu hoje, aos 92 anos.

Júlio Pomar iniciou a formação na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Frequentou também as Escolas de Belas-Artes de Lisboa e do Porto. Em 1942, participou na primeira mostra de grupo, em Lisboa, e cinco anos depois, apresentou a primeira exposição individual, no Porto. Hoje, é reconhecida a importância da sua fase neo-realista, em que a arte assume a forma de protesto social. De facto, a oposição ao regime de Salazar levá-lo-ia à prisão, ao lado de Mário Soares, de quem era amigo. E os frescos que Pomar pintara para o Cinema Batalha, no Porto, seriam eliminados já depois da inauguração, pela polícia política.

Após o primeiro período, destaca-se a exposição «Tauromachies», em Paris, cidade onde viveria a partir de 1963, por razões pessoais. Nesta nova fase, a obra de Pomar evolui para “um novo figurativismo”, sob influência da pintura do pós-guerra. Emblemática é também a participação numa mostra dedicada ao quadro de Ingres, Le Bain Turc, pelo Museu do Louvre, em 1971. Sete anos mais tarde, a Fundação Gulbenkian promove em Lisboa a sua primeira exposição retrospectiva. «Tigres» (Galerie de Bellechasse e Galeria 111, 1981 e 1982) e «Mascarados de Pirenópolis» (Galeria 111, ARCO, Madrid, 1988) estão também entre as obras mais paradigmáticas de uma multifacetada carreira, onde ao longo de sete décadas pontuam o protesto, o erotismo, o fado e a tourada, a literatura, a mitologia e os retratos.

Nome maior da pintura modernista, seria o autor do retrato de Lévi-Strauss, a convite do Ministério da Cultura francês; pintou também o retrato do ex-Presidente da República, Mário Soares, um dos mais originais da galeria presidencial, pelo estilo e informalidade. Anos antes, foi o autor da intervenção artística na estação de metro Alto dos Moinhos, em Lisboa, onde juntou Camões, Bocage, Almada e Pessoa. O conjunto de desenhos, nomeadamente o de Pessoa, icónico pelo seu simbolismo, foi depois integrado no passaporte português. Além da poesia, também a música ocupou um lugar na obra de Júlio Pomar das últimas décadas, particularmente os intérpretes do fado, como Carlos do Carmo, Mariza ou Alfredo Marceneiro.

Júlio Pomar instituiu, em 2004, uma Fundação com o seu nome, reunindo uma colecção com cerca de 400 obras suas em pintura, escultura, desenho, gravura, serigrafia e artes decorativas, que depositou no museu monográfico dedicado à sua obra: o Atelier-Museu Júlio Pomar, fundado pela Câmara Municipal de Lisboa e aberto ao público em 2013, num edifício do século XVII  alvo de uma reabilitação da autoria do arquitecto Siza Vieira, amigo do pintor.
Desde então, Júlio Pomar seguiu e colaborou activamente com o Atelier-Museu e a sua equipa, vendo realizadas, até à data, várias exposições em torno da sua obra e, mais recentemente, uma programação artística que tem procurado alargar os âmbitos de leitura do seu trabalho, revelando novas ligações do artista com a contemporaneidade – é o caso das exposições com Rui Chafes, Julião Sarmento e Pedro Cabrita Reis.

Júlio Pomar foi distinguido com o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lisboa. É também o único pintor português que, em vida, teve uma obra "Classificada" pelo Estado português: o “Almoço do Trolha”, recentemente exibida no Museu. Em 2016, o artista foi distinguido com a Medalha Municipal de Honra, pela Câmara de Lisboa.




Mais notícias sobre:
Município