Município, Santa Maria Maior

Casamentos de Santo António: tradição e futuro em Lisboa

12, Junho 2015
  • Casamentos Santo António 2015
    Casamentos Santo António 2015

Mais 16 novos casais foram abençoados por Santo António em 12 de junho, brindados pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, com um voto pelo futuro dos apaixonados e o futuro da cidade.

De manhã, cinco uniram-se pelo casamento numa cerimónia civil que decorreu nos Paços do Concelho; à tarde foi a vez dos onze matrimónios religiosos, na Sé de Lisboa, uma cerimónia que contou ainda com os Casais de Ouro, que este ano celebram meio século de união sob a égide do santo casamenteiro.

 

Simplesmente amo-te

Na sala de sessões públicas do executivo municipal, era ainda manhã cedo, mais de 30 profissionais embelezavam as noivas, enquanto lá fora o céu escurecia e algumas gotas de água teimavam em cair: “Casamento molhado, casamento abençoado”, comentavam os populares.

No salão nobre, a Orquestra Philarmónica de Lisboa ensaiava já para a cerimónia e nas cadeiras, que aguardavam pelos convidados, repousavam os votos dos noivos e das noivas: “Amo-te, com todas as letras, palavras e pronúncias; em todas as línguas e sotaques; em todos os sentidos e formas; em todas as circunstâncias e motivos; simplesmente, Amo-te”, tinha escrito o Vítor para a sua amada Alina.

Às 12 horas em ponto as cinco noivas começaram a entrar. Uma a uma, perante o nervosismo dos noivos. Cecília Rocha, a conservadora do Registo Civil de Lisboa, saudou os presentes, onde se encontrava o Executivo, liderado pelo presidente Fernando Medina, e lembrou: “Tenho uma pergunta a fazer à plateia: algum dos presentes conhece impedimento que obste à concretização destes casamentos de Santo António?” No meio do silêncio alguém tossiu: “As tosses não contam”, sorriu a conservadora, perante uma gargalhada geral. E continuou: “Lembrem-se, vocês não estão a casar com um príncipe ou uma princesa encantada. Estão a casar com uma pessoa real. Uma pessoa em construção. Por isso nunca se esqueçam destas duas palavras: a amizade e o perdão”.

O momento pelo qual todos esperavam veio de seguida: “Daniel é de sua livre vontade casar com a Paula?”. “Sim”, ouviu-se. “Em nome da Lei e da República Portuguesa declaro que estão unidos pelo casamento”.

Lá fora, à medida que os casais surgiam à varanda do salão nobre dos Paços do Concelho, a Tuna Universitária do Instituto Superior Técnico entoava uma bela serenata.

Enquanto os cinco casais posavam para a fotografia, na Sala do Arquivo os nove casais de ouro, unidos em matrimónio no longínquo ano de 1965, eram recebidos pelo presidente da autarquia, num brinde comemorativo.

 

O futuro de Lisboa

Casamento pede boda e este ano a festa foi no restaurante Montes Claros, em Monsanto, espaço idílico para o brinde e a tradicional valsa.

O brinde aos noivos coube a Fernando Medina, que deixou um desejo: “é muito importante que vocês façam parte de Lisboa porque vocês representam o futuro da cidade, uma cidade cosmopolita e aberta ao mundo que nos orgulha a todos. ” 

Antes, na Sé de Lisboa o povo aplaudiu os noivos à chegada, em carros antigos, que celebraram os votos com o cónego Luís Manuel perante convidados, Fernando Medina e vários vereadores da autarquia.

Ternura e compreensão foram as mensagens chave de uma homilia centrada no “Rito do Matrimónio” e em múltiplas referências ao Papa Francisco: “Com licença, obrigado e desculpa” são as três premissas apontadas pelo Santo Padre para o êxito de um casamento, frisou o sacerdote.

À saída, depois de muita emoção, a multidão que não arredou pé aplaudiu entusiasticamente os casais, ao som do romântico The Love Boat interpretado pela Banda da Carris. 

Tempo ainda para a tradicional deposição de flores na igreja de Santo António, sem demoras porque era preciso rumar ao copo de água, em desfile pela Avenida da Liberdade pois Lisboa não se cansa de aplaudir os novos abençoados pelo seu santo. 

O dia é longo para os noivos mas a felicidade lê-se nos olhos dos novos casais, dia de emoções, de bênção e de votos que não acaba sem uma passagem, noite fora, pelas Marchas Populares. Porque festas sem marchas não são festas, porque Santo António é santo casamenteiro e esta é a longa noite de Lisboa, noite de folia e de paixões… muitas! 

Para o ano há mais de certeza e isso afiança Fernando Medina quando se dirigiu aos noivos: “vocês fazem parte de uma tradição bonita que queremos manter e é muito importante para Lisboa, uma tradição que marca também a renovação das gerações na cidade.”

 

 

Array
Mais notícias sobre:
Município, Santa Maria Maior