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Cerimónia do 1º de Dezembro

01, Dezembro 2016
  • Comemorações do 1º de Dezembro
    Comemorações do 1º de Dezembro

A manhã chuvosa que se fazia sentir na Praça dos Restauradores não impediu que a Cerimónia de Homenagem aos Heróis da Restauração e da Guerra da Aclamação, no âmbito das Comemorações do 1º de Dezembro, se revestisse de solene dignidade. Pela primeira vez desde há muitos anos, o Presidente da República ombreou nesta ocasião com o primeiro ministro e o presidente da Câmara Municipal, conferindo à ocasião e à reposição do feriado da Restauração relevância política e institucional.

A cerimónia, desde há 130 anos organizada conjuntamente pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal, iniciou-se com a chegada do Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o Hino Nacional, executado pela Banda da Força Aérea e entoado pelo Coro Juvenil da Casa Pia de Lisboa, ao mesmo tempo que era içada a Bandeira Nacional, a que se seguiu o Hino da Restauração, enquanto era içada a Bandeira da Restauração.

Na tribuna de honra perfilavam-se, entre outras individualidades, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro ministro, António Costa, o vice presidente da Assembleia da República, José Manuel Pureza, a procuradora geral da República, Joana Marques Vidal, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Artur Pina Monteiro, os chefes de Estado maior dos três ramos das Forças Armadas e os comandantes das forças policiais e militarizadas, o presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, José Alarcão Troni, o coordenador geral do Movimento 1º de Dezembro de 1640, José Ribeiro e Castro, os diretores das academias e colégios militares e de segurança, diversos deputados (incluindo a líder do CDS / PP, Assunção Cristas), o chefe da Casa de Bragança, D. Duarte Pio de Bragança (acompanhado pela esposa, D. Isabel de Herédia), vereadores da Câmara Municipal de Lisboa de todas as formações políticas aí representadas e diversos presidentes de Juntas de Freguesia (incluindo o da freguesia local, Santa Maria Maior, Miguel Coelho).

O período de intervenções foi aberto com a alocução de José Alarcão Troni, presidente da SHIP, que recordou o importante historial da Sociedade Histórica e das comemorações do 1º de Dezembro, expressando o seu "sincero reconhecimento" aos órgãos de soberania pela "reposição dos quatro feriados nacionais, incompreensivelmente abolidos em 2012", nomeadamente ao primeiro ministro António Costa que, no Palácio da Independência (sede da SHIP), assinou em março último a lei da Assembleia da República para reposição dos feriados. Alarcão Troni concluiu apelando ao Estado e ao Município para apoiar com "extrema urgência a recuperação, segurança, museolização e iluminação do Palácio da Independência.

O coordenador geral do Movimento 1º de Dezembro, José Ribeiro e Castro, parafraseando um dito popular sobre casamentos e aludindo ao tempo chuvoso que se fazia sentir, afirmou que "Restauração molhada é Restauração abençoada" para se congratular com a reposição do feriado deste dia que "celebra o valor da nossa existência" como Nação. Nesta senda, agradeceu ao primeiro ministro "a pontualidade com que cumpriu a sua promessa" de repor o feriado e ao Presidente da República "a forma expedita de promulgação desta lei". "Os tempos difíceis convocam o patriotismo - diferente do nacionalismo que exclui - e a unidade, e cada 1º de dezembro deve inspirar os portugueses", concluiu Ribeiro e Castro.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, assumiu que nesta data "celebramos a nossa liberdade, sem nostalgias", agradecendo a todos os que "recusaram apagar a memória da independência". Respondendo ao apelo do presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, o autarca de pronto garantiu que "encontraremos meios para recuperar o Palácio da Independência". O edil lisboeta sublinhou que "patriotismo é inclusão; não é o que nos divide mas o que nos une", devendo a sociedade portuguesa continuar a ser uma "sociedade aberta e plural, hoje ameaçada pelo medo".

O primeiro ministro, António Costa, referindo-se á presença em simultâneo nesta cerimónia do primeiro ministro e do Presidente da República, "pela primeira vez em muitos anos", constatou que neste particular "o Estado acompanhou a Nação" no entendimento da importância destas comemorações, que devem "unir todos em torno do que é comum: Portugal livre e independente". Recusando nacionalismos "anacrónicos", o governante garantiu que hoje existe uma "fraterna amizade com Espanha", com quem partilhamos um caminho comum. Mas "a geografia faz-nos um país aberto ao mundo; somos um país europeu que tem mais mundo para lá da Europa". Verberando "o nacionalismo e a xenofobia que quer erguer muros", Costa garantiu que "nós construimos pontes, e estamos orgulhosamente acompanhados, acolhendo imigrantes e turistas, investidores e refugiados, estudantes e artistas".

Encerrando o período das intervenções, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, referiu que "o que nos junta aqui hoje é o Portugal intemporal". Destacando o papel essencial do Município de Lisboa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal na restauração do feriado", o estadista agradeceu também a participação ativa das Forças Armadas nesta cerimónia, que reforça o sentido da nossa "independência política e financeira, repudiando pressões intoleráveis". Pugnando por "um Portugal melhor, com melhor economia e maior justiça social", Marcelo Rebelo de Sousa apontou "o futuro, na Europa nosso berço e com o Mundo como destino".

No final, representações das academias e escolas militares, das Forças Armadas e de segurança, bem como das diversas instituições habitualmente representadas nesta cerimónia, procederam à deposição de flores na base do Monumento aos Restauradores, incluindo os presidentes da SHIP e a Câmara Municipal (com toda a Vereação), o primeiro ministro e o Presidente da República. A cerimónia terminou com a homenagem aos Heróis da Restauração e da Guerra da Aclamação através dos toques de silêncio, homenagem aos mortos e alvorada, executados por um terno de clarins da Fanfarra da Força Aérea, e com o arriar da Bandeira Nacional ao som de A Portuguesa.

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