Cultura e Lazer

Comemorações do 25 de Abril

25, Abril 2014
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    Comemorações do 25 de Abril

Culminando um mês de extenso programa comemorativo municipal, a celebração dos 40 anos da libertadora revolução atingiu o momento alto nos dias 24 e 25 de abril. Lisboa cheira a cravos e saúda Abril com alegria, luz, animação e esperança. 

O dia 24 começou com uma iniciativa dedicada à juventude, com a apresentação do Autocarro de Abril, e, já à tarde, com a vereação procedendo à visita inaugural da exposição de fotografia "A Revolução está na Rua". À noite, antecipando a evocação da madrugada do "movimento dos capitães", o Terreiro do Paço encheu-se com muitos milhares de pessoas para um espectáculo de videomapping, um concerto musical e, já às primeiras horas do dia 25, um feérico fogo de artifício.

Já no dia 25, a Corrida da Liberdade, a popular festa no Parque Eduardo VII, as atividades militares e "chuva de cravos" no Terreiro do Paço, o descerramento de uma placa no prédio onde, durante a ditadura, funcionou a Censura / Exame Prévio e a inauguração de uma instalação artística no Largo do Carmo foram prelúdio para o relevante momento da entrega da Medalha Municipal de Ouro à Associação 25 de Abril, por deliberação unânime da Câmara Municipal de Lisboa. No ato, Vasco Lourenço, presidente da referida associação, recebeu a distinção das mãos do edil lisboeta, António Costa.


Som, luz e liberdade

Projetado no torreão nascente do Terreiro do Paço, local emblemático onde há quarenta anos Salgueiro Maia comandou a coluna da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, o espectáculo de videomapping lembrou os principais momentos da revolução e fez as delícias de um público multigeracional atento e maravilhado.

Grândola Vila Morena e Liberdade eram as palavras mais entoadas, mesmo pelos mais pequenos. E fazendo jus à qualidade cosmopolita da capital portuguesa, Lisboa Cidade Erasmus tinha também no espetáculo grupos de estudantes de vários pontos do globo, particularmente alguns italianos que faziam questão de lembrar que 25 de Abril é também a data em que naquele país se assinala o fim do fascismo (1945).

No palco, enquanto eram exibidos filmes curtos alusivos a temas e figuras da história de Abril, desfilaram artistas de várias gerações, designadamente B Fachada, Camané, Capicua, Capitão Fausto, Carlos Guerreiro, Coro Lisboa Cantat, Couple Coffee, Dead Combo, Flak, João Peste, JP Simões, Júlio Pereira, Linda Martini, Maria do Céu Guerra, Norberto Lobo, Stereosauro, Velha Gaiteira, Xana, You Can’t Win Charlie Brown (YCWCB) e Zeca Medeiros.

Já perto das 1h30, enquanto todos entoavam a emblemática Grândola Vila Morena e ao som de um estridente e repetido “vitória”, os céus de Lisboa iluminaram-se com uma apoteótica “chuva de cravos” lançada a partir de vários pontos do Terreiro do Paço e do rio Tejo.


Exposição de fotografia "A Revolução está na Rua"

Os momentos decisivos da revolução libertadora de 25 de Abril de 1974 são evocados numa exposição de fotografias então captadas pelos fotógrafos profissionais Alfredo Cunha, Carlos Gil e Eduardo Gajeiro, que cobriam o desenrolar dos acontecimentos para a imprensa, e pelo arqueólogo e arquiteto Mário Varela Gomes, que na ocasião, com a sua câmara amadora, registou para o futuro imagens da adesão da população à acção dos militares.

Na visita inaugural incorporaram-se muitas dezenas de pessoas, incluindo o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, a presidente da Assembleia Municipal, Helena Roseta, e os vereadores Catarina Vaz Pinto, Graça Fonseca, Duarte Cordeiro, Jorge Máximo, Carlos Castro e Fernando Seara, para além do presidente da freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, e outras individualidades. Enquanto elementos da organização distribuíam postais com algumas das fotografias expostas, percorreu-se um amplo itinerário, do Largo do Carmo ao Terreiro do Paço, passando pelas ruas da Misericórdia, António Maria Cardoso e do Alecrim, Praças Luís de Camões e do Município e Largo do Chiado.

As fotografias ampliadas desta exposição no espaço público, comissariada por José Manuel dos Santos e João Pinharanda, estão colocadas junto dos locais onde foram captadas. Pode ser visitada até ao dia 30 de maio.


Eventos no Terreiro do Paço no dia 25 de abril

O Terreiro do Paço foi o palco privilegiado das comemorações da revolução que há 40 anos acabou com o regime ditatorial.

Milhares de pessoas tiveram oportunidade de contactar com vários eventos, que decorriam em vários pontos da praça, mas onde se destacava uma exposição de viaturas militares (com a possibilidade de visitar o seu interior), várias tendas referentes a diversas ações dos diferentes ramos das Forças Armadas, e um palco por onde passaram orquestras e bandas militares e que animaram a celebre praça junto ao rio. Houve também demonstrações e exercícios de elementos das forças especiais militares com destaque para os binómios cinotécnicos (compostos por um cão e o seu tratador) que fizeram várias demonstrações de ações para os quais os cães foram treinados.

Momento alto da tarde foi a chuva de cravos lançada de um helicóptero militar sobre os milhares de assistentes que acolheram de braços abertos e calorosamente as milhares de flores derramadas sobre a praça.

À festa assistiram António Costa e vários vereadores do executivo camarário.

A meio da tarde houve ainda lugar para a inauguração do cacilheiro Trafaria Praia, obra ícone que representou Portugal na 55º edição da bienal de Veneza, da autoria da artista plástica Joana Vasconcelos. O cacilheiro-instalação intervencionado vai estar a partir de agora acessível ao público e efetuar cruzeiros turísticos pelo Tejo permitindo desfrutar da magnifica vista da cidade a partir do rio. A viagem inaugural contou com a presença de António Costa, de Catarina Vaz Pinto, vereadora da cultura e do secretário de estado da cultura, Jorge Barreto Xavier juntamente com um conjunto de convidados que desfrutaram da obra e do passeio pelo rio.


Medalha Municipal de Ouro outorgada à Associação 25 de Abril

Depois, foi a vez das comemorações subirem as colinas da cidade. Primeiro, procedeu-se ao descerramento de uma placa indicativa do local onde funcionou o edifício da Censura / Exame prévio, na Rua da Misericórdia, 125. A duas mãos (presidente da Câmara, António Costa, e presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira), o descerrramento pretende assinalar às novas gerações a existência de uma instituição que, durante os tempos da ditadura, impediu a liberdade expressão na comunicação social e nas atividades culturais, cerceando o elementar direito à informação e ao conhecimento. "Para que o que foi não volte a ser", sentenciou António Costa.

Já no Largo do Carmo, foi inaugurada uma instalação artística de Catherine Silva, designada "Girândolas de Luz", onde 8 flores metálicas no alto de colunas de iluminação irradiam luz que simboliza as coordenadas geográficas dos locias onde os capitães conjurados para a revolução fizeram as reuniões do vitorioso movimento.

Carregado de intensa simbologia, as cerimónias comemorativas do dia tiveram o seu momento cimeiro com a entrega à Associação 25 de Abril, representada por Vasco Lourenço, da Medalha Municipal Grau Ouro, por deliberação unânime da Câmara Municipal de Lisboa. O presidente da edilidade, António Costa, que se fazia acompanhar por quase toda a vereação (incluindo os vereadores Catarina Vaz Pinto, Paula Marques, José Sá Fernandes, Jorge Máximo, Duarte Cordeiro, João Afonso, Carlos Castro, Fernando Seara, Teresa Leal Coelho e Carlos Moura) entregou ao coronel, um dos líderes do "movimento dos capitães" em 1974, o prestigioso galardão com que a autarquia distingue as mais relevantes entidades. Vasco Lourenço agradeceu a honraria, sublinhando o facto de a revolução se haver "decidido em Lisboa".

Reportando-se ao facto de a deliberação camarária ter obtido o consenso unânime, o presidente da Câmara reforçou esse significado afirmando que "há gestos que dispensam palavras", concluindo com um enfático "muito obrigado a quem fez o 25 de Abril".

 

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