Cultura e Lazer

Comemorações do 25 de Abril

25, Abril 2019
Lisboa celebra a liberdade, conquistada há 45 anos
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    Comemorações do 25 de Abril

Espetáculos

As comemorações da Revolução de 25 de Abril de 1974 não deixam os lisboetas indiferentes. Logo na noite do dia 24 - após um espetáculo de som e luz, com imagens projetadas nas fachadas dos monumentais edifícios que evocaram os principais momentos ali vividos há 45 anos - um concerto do cantor e compositor Fausto Bordalo Dias atraiu muitos ao Terreiro do Paço, apesar do frio e do vento que se faziam sentir.

Roteiro "Lugares de Abril"

Também os locais onde a liberdade deu os primeiros passos e a democracia começou a ser forjada, serão agora assinalados com placas alusivas e passarão a fazer parte de um autêntico roteiro da revolução. São os Lugares de Abril - um roteiro por oito lugares que testemunharam há 45 anos os principais acontecimentos revolucionários (roteiro que será progressivamente alargado a 25 lugares até 2024, ano em que se comemorarão os 50 anos sobre a gesta libertadora). As placas dispõem de um Qr Code, que permite aceder a informação mais detalhada sobre cada evento.

No primeiro desses locais, na Rua do Arsenal junto ao Largo do Corpo Santo, foi inaugurada uma placa no pavimento assinalando um episódio revolucionário que ali sucedeu. O ato contou com as intervenções do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, da presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia Carla Madeira, e do vice presidente da Associação 25 de Abril, coronel Aprígio Ramalho.

Já no dia 25, foi inaugurada a placa que recorda um dos mais dramáticos e decisivos momentos da Revolução, protagonizado pelo capitão Salgueiro Maia, na esquina do Terreiro do Paço com a avenida Ribeira das Naus, numa cerimónia que contou com a presença da vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto e o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho.

Em Campolide (Travessa Estevão Pinto ), onde hoje funciona a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, o vereador Manuel Salgado e os coronéis Artur Pita Alves e Nuno Santas Clara Gomes assinalaram o local onde então estava instalado o Batalhão de Caçadores n.º 5. Daí saiu, pelas três da manhã, uma força constituída por duas companhias operacionais, uma para ocupar o Quartel-General do Governo Militar de Lisboa, em S. Sebastião da Pedreira, e outra para garantir a segurança do Rádio Clube Português, na Rua Sampaio e Pina.

Coube ao vereador José Sá Fernandes lembrar o papel de uma força da Escola Prática de Administração Militar, que saiu do quartel na Alameda Alameda Linhas Torres n.º 179 perto das três da manhã para ocupar os estúdios do Lumiar da Lumiar da Rádio Televisão Portuguesa. Na cerimónia, que contou ainda com o presidente da Junta de Freguesia, Pedro Delgado Alves, e o Coronel Manuel Borges Correia, participaram vários militares que protagonizaram o momento, alguns vindos propositadamente da várias partes do país.

No Largo da Penha França, o vereador Carlos Manuel Castro, a presidente da Junta de Freguesia, Ana Sofia Dias, e o Coronel Carlos Matos Gomes registaram a pedra que assinala a ocupação do Comando da Legião Portuguesa por uma força do Movimento das Forças Armadas.

O último local assinalado foi aquele de onde durante o dia 25 foram emitidos vários comunicados do MFA – a Emissora Nacional na Rua do Quelhas –, após ter sido ocupada por uma força do Campo de Tiro da Serra da Carregueira. O vice-presidente da autarquia, João Paulo Saraiva, a vereadora Paula Marques e os coronéis Luis Pimentel e Frederico Morais lembraram o momento e visitaram as instalações, que hoje acolhem o Instituto Superior de Economia e Gestão.


Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos

Num ato pleno de emoção, foi inaugurado um memorial aos resistentes antifascistas que pagaram com perseguições, prisão, tortura ou até mesmo a vida a sua luta contra a ditadura. Trata-se de um pórtico localizado em pleno átrio da estação do Metro da Baixa-Chiado, que mostra imagens alusivas a essa tenebrosa realidade, revelando os nomes de quantos tombaram sob a repressão. São 30 mil os nomes que constam da lista, sabendo-se que muitos mais, anónimos, sofreram igualmente às mãos dos agentes do aparelho repressivo.

Na ocasião, o presidente da CML, Fernando Medina, fez questão de agradecer na pessoa do organizador da iniciativa, Alfredo Caldeira, em nome de toda uma geração que veio usufruir da liberdade e perante muitas dezenas de antigos prisioneiros políticos, a dádiva da democracia que a luta dos resistentes veio permitir. Igualmente presentes, para além de antigos presos políticos e seus familiares e numeroso público, estiveram o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, e as vereadoras Catarina Vaz Pinto e Teresa Leal Coelho.

Paços do Concelho de "Portas Abertas"

Cumprindo o que já é uma tradição, o edifício dos Paços do Concelho esteve aberto a quantos o quiseram visitar. Logo pela manhã e ao longo de todo o dia, milhares de lisboetas e turistas fizeram fila para conhecer aquele que é o mais republicano dos edifícios da cidade, pleno de simbolismo associado à vida cívica e democrática do país. Os visitantes foram à saída, brindados com objeto igualmente simbólico: um cravo vermelho.

Exposição de fotografia de Alfredo Cunha

Na Praça do Município, no Terreiro do Paço e noutros locais onde se fez história a 25 de abril de 1974 estão patentes fotografias que evocam esses momentos. Trata-se de fotografias captadas nesses locais pelo então jovem repórter fotográfico Alfredo Cunha- incluindo a famosa fotografia do capitão Salgueiro Maia no decurso das decisivas operações libertadoras.

 

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