Intervenção social

Conferência “A rua respeita a mulher?” nos Paços do Concelho

12, Julho 2017
Decorreu dia 12 de julho, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho, a conferência “A rua respeita a mulher?”. Um tema que aborda a segurança no espaço público e no transporte, debatido pela equipa do Plano de Acessibilidade Pedonal da Câmara de Lisboa, com a participação do vereador dos Direitos Sociais, João Afonso.
  • Conferência “A rua respeita a mulher?”
    Conferência “A rua respeita a mulher?”

Manuel Lisboa, do Observatório Nacional de Violência e Género da FCSH/NOVA, participou no debate, apresentando um estudo sobre a "Violência de Género - O Caso do Espaço Público". "A Mobilidade a Pé, na Perspetiva da Mulher", é abordada por Adriana Souza, da Universidade de Brasília, enquanto Paula Miranda, da cooperativa Trabalhar com os 99%, diz que "Mudar é possível".

A investigadora brasileira Adriana Souza, que está a analisar a mobilidade a pé na perspetiva das mulheres em Lisboa e em Brasília concluiu que, os problemas nestas capitais são semelhantes, desde logo pela vulnerabilidade ao caminharem sozinhas. Adriana Souza referiu que muitas mulheres preferem não ir à rua, não estar na rua, para não terem a sensação de medo e de vulnerabilidade. ”Quando o fazem, são, por vezes, alvo de piropos: “Os homens ainda se sentem no direito de o fazer. Para eles, não estão a fazer nada de mais, não entendem que isso é um desconforto e um constrangimento”.

Tendo por base os contactos que fez, notou também que à noite, “as mulheres sentem uma certa insegurança e medo de usar o transporte púbico”, segundo a especialista em Mobilidade, acrescentando que as utilizadoras do sexo feminino “têm dificuldade de encontrar os melhores horários para circular e, por diversas vezes, deixam de fazer qualquer tipo de atividade cultural” por não terem como se deslocar.

Para inverter os problemas, Adriana Souza sugeriu, desde logo, uma aposta na mobilidade suave: “O andar a pé e o andar de bicicleta porque uma cidade fica mais calma quando existem mais pessoas a passar”. Outra medida elencada foi a requalificação do espaço público, para chamar “as pessoas de um modo geral para a rua”. “E, por último, é sempre desconstruir uma questão social, que está sempre ligada a cultura do estereótipo, do sexismo”, adiantou.

O vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa, João Afonso, reconheceu a necessidade de promover a igualdade de género e aludiu a “medidas físicas” que estão a ser adotadas como a colocação de bancos individuais no espaço público, a instalação de paragens no mesmo local (em vez de estarem dispersas), a colocação de revestimento transparente nas paragens e ainda a eliminação de espaços apertados junto a estes locais.

Depois das apresentações dos oradores, o público presente foi distribuído em pequenos grupos onde tiveram a oportunidade de trocar ideias sobre a temática com a particularidade de cada pessoa ter uma experiência singular a nível particular ou profissional, o que enriqueceu a auscultação do encontro. Este trabalho de grupo tinha como objetivo refletir sobre a segurança na cidade de Lisboa no futuro.

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