Desporto, Município

Corre Liberdade Viva!

25, Abril 2018
Maré Alta. Quisesse hoje Sérgio Godinho reescrever a canção e talvez o verso fosse algo como "A Liberdade está a correr por aqui". Porque passam já 44 anos sobre a madrugada libertadora, porque são já 41 corridas da Liberdade, porque é muita gente a correr e desta vez foi mais do que nunca, para cima de sete mil.

Posto de Comando do MFA, 25 de Abril, 9h30. 44 anos depois, ali na fronteira entre Lisboa e Odivelas, entre Carnide e a Pontinha, já não se faz a revolução mas comemora-se aquela que foi a sua principal conquista, mãe de todas as outras que se seguiram: a Liberdade, agora transformada em corrida, que na sua 41.ª edição juntou no total mais de sete mil atletas e bateu recordes. Duarte Cordeiro, vice-presidente da autarquia e responsável pelo pelouro do Desporto, fez a prova de cinco quilómetros a partir do Largo do Carmo, “uma prova especial” que teve ainda partidas no Marquês de Pombal (um quilómetro) e no Saldanha (caminhada de dois quilómetros).

Voltemos à Pontinha, de onde saíram 4 500 para o percuro maior, de 11 quilómetros. Os atletas preparam-se, falta ainda uma hora para a partida mas já são muitos, como os cravos que empunham. O grupo de motards que tradicionalmente acompanha a corrida faz roncar os motores, a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários anima o espaço, o speaker lembra que a prova tem como patrono o professor Mário Moniz Pereira. 

Faltam cerca de cinco minutos para a partida e são anunciados recordes de inscrições na prova, “viva a Liberdade, partida”. Todos correm, muitos de cravo no punho, braços bem levantados. 

Pulemos no tempo e já estamos nos Restauradores, onde todas e todos chegam. Cansados mas de sorriso nos lábios, o sol primaveril decidiu brindar Lisboa e a corrida que celebra a liberdade, a avenida que lhe recebeu o nome em homenagem é agora um mar de gente. Muita gente. Maré Alta

Duarte Cordeiro também chega, no palco cantam-se canções de outrora mas sempre de hoje, Viva quem canta / que quem canta é quem diz / quem diz o que vai no peito / no peito vai-me um país, à tarde há desfile naquela mesma avenida e o vice-presidente também lá quer estar, mas antes ainda ruma ao Campo Grande, que passará a ser de nome Mário Soares. Por isso não há tempo a perder. Diz tratar-se de uma boa prova, que guarda a descida para quando o cansaço aperta. 

E diz ter sentido a Liberdade: “Festejar o 25 de Abril é fundamental para lembrarmos o que foi a conquista da Liberdade e da democracia, fazê-lo assim de forma popular com milhares de pessoas e de forma saudável é uma forma muito feliz” para celebrar a revolução.

A câmara apoia a prova, que, sublinha Duarte Cordeiro, “é especial” entre tantas que fazem a cidade fervilhar de desporto. Desde logo porque é uma prova gratuita, afirma, e “para todas as idades. O desporto não é só para quem está bem fisicamente, é para todas as pessoas”. 

Voltamos ao palco, Duarte Cordeiro já lá está. Agora para uma homenagem ao “senhor atletismo”, recebida pela sua filha, Inês Pereira. 

No recinto um grupo de Capoeira ainda anima e delicia quem está, é chegado o tempo dos prémios. Ao pódio sobe quem chegou primeiro mas no palmarés da corrida ficarão todas e todos, porque esta é uma corrida que celebra a Liberdade  e quem corre por ela é sempre vencedor. Foram mais de sete mil, que fique registado. 

Para o ano há mais, essa é uma certeza. A despedida escreve-se num até já, porque a maré alta vai continuar e a liberdade está a correr por aqui. Mesmo! 

 

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