Doutoramento Honoris Causa de João Charters de Almeida

Março 12, 2013
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Teve lugar no salão nobre da reitoria da Universidade de Lisboa, no passado dia 11 de março, a cerimónia de doutoramento do artista plástico João Charters de Almeida à qual assistiu António Costa, presidente da Câmara de Lisboa.

Após o tradicional cortejo académico ao som de Pomp & Circumstance de Elgar, o primeiro discurso esteve a cargo de Fernando Baptista Pereira, professor da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, que traçou os aspectos fundamentais da obra do artista homenageado pondo ênfase na multiplicidade das suas expressões que vão do desenho à escultura, passando pela pintura, medalhística e gravura, lembrando ainda o à vontade com que Charters de Almeida domina vários materiais, como a pedra o aço, o betão. No mesmo discurso foi lembrado o percurso do criador, desde a sua formação na Faculdade de Belas Artes no Porto, sob a orientação do mestre Salvador Barata Feyo e as diferentes fases artísticas que a obra de Charters de Almeida atravessou. 

Seguiram-se as palavras António Matos, também professor na Faculdade de Belas Artes, na qualidade de “padrinho” do candidato, que referiu a singularidade da obra de Charters de Almeida, fosse pela sua ancoragem no formalismo de uma fase inicial fosse pelo minimalismo que definem as composições mais recentes do escultor. Referiu ainda a liberdade criativa que caraterizam a sua obra e a monumentalidade de algumas das suas esculturas de implementação urbana. 

Uma sala cheia de convidados, amigos e alunos do escultor, onde se encontrava a presidente da Assembleia Municipal Simonetta Luz Afonso, o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme de Oliveira Martins, e Manuela Ramalho Eanes, aplaudiu de pé o momento da recepção da medalha e do diploma pelo ora doutorado Charters de Almeida. 

O homenageado agradeceu confessando-se vivamente emocionado com a outorgação e referiu a enorme responsabilidade que sente cair-lhe sobre os ombros devido a tamanho reconhecimento. Charters de Almeida não deixou de fazer um agradecimento especial à CML cidade que acolhe diversas das suas obras fazendo referência ao novo lugar do conjunto escultórico transladado da Ribeira das Naus e que agora funcionará como pórtico à Alameda da Universidade.

A encerrar a cerimónia o reitor da Universidade de Lisboa António Nóvoa pegou precisamente na introdução deste elemento artístico que agora assinala a entrada do campus universitário para lembrar o quanto a cidade e a universidade têm vindo a ganhar pela aproximação conjunta depois de muitos anos de divórcio. “Neste ponto – disse o reitor referindo-se ao conjunto escultórico Charters de Almeida – dá-se o encontro entre a cidade e a universidade. Sendo a cidade um lugar de criação e que a universidade se deve virar para a cidade e para o mundo para aí intervir”. O reitor lembrou ainda que este é um tempo presente que mais se parece com o passado do que com o futuro e que é preciso convidar a todos o libertarem-se das inércias presentes. 

Este discurso, muito aplaudido, encerrou a cerimónia à qual se seguiu a inauguração de uma exposição dedicada ao artista com o título “Símbolos, Utopias e Vertigens”.

João Charters de Almeida nasceu em Lisboa em 1935, matriculou-se em arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto tendo posteriormente mudado para o curso de escultura. Foi professor assistente com regência de cadeiras, naquela Escola Superior durante 8 anos, tendo feito concurso público para professor efectivo ao 9 ano da sua actividade docente em permanência, tendo pedido um ano depois da tomada de posse, a demissão do cargo para se dedicar ao seu ateliê. Entre as suas obras mais conhecidas destacam-se as suas intervenções em espaço público, denominadas como " CIDADES IMAGINÁRIAS", como na rotunda de Telheiras uma das obras de arte pública que mais impressiona dada a sua escala.



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