Cultura e Lazer

Estátua de D. José I pronta no próximo Verão

22, Novembro 2012

A estátua equestre de D. José I, na Praça do Comércio, está a ser alvo de um restauro total, que deverá estar terminado em agosto de 2013. A coordenação científica e financiamento da obra estão a cargo do World Monuments Fund – Portugal, que já havia intervencionado a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos.

Esta obra de restauro pretende “recuperar o brilho inicial” da obra, naquela que é “uma das últimas obras que faltavam fazer no Terreiro do Paço”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa durante uma visita guiada à comunicação social, no dia 21 de novembro. António Costa revelou ainda a existência de negociações avançadas com o Estado, para a recuperação do Arco da Rua Augusta e a instalação de um elevador que permita visitar a parte de cima e ter uma vista panorâmica sobre a Praça. Está previsto que esta obra arranque em 2013, contando igualmente com o apoio do World Monuments Fund – Portugal (WMF).

O restauro da estátua de D. José I torna-se assim a terceira obra nacional a ser financiada pelo WMF Portugal, conforme esclareceu José Blanco, presidente da associação internacional sem fins lucrativos, que tem como objetivo a conservação de monumentos e o restauro de património integrado. Isabel Cruz Almeida, a vice-presidente da associação afirmou a sua convicção na importância desta obra, entre outros motivos, por esta estátua ser a “primeira grande obra de arte pública que temos em Portugal”.

A ESTÁTUA
Nascida dos desenhos iniciais de Eugénio dos Santos, será concretizada por Machado de Castro, após muitas e sucessivas alterações com a ideia de representar um rei à antiga romana, de acordo com os princípios da cultura clássica. O rei nunca posou para Machado de Castro e as mãos do monarca são, na realidade, as mãos do escultor.

O ESCULTOR
Joaquim Machado de Castro (1731-1822) foi um dos mais importantes artistas portugueses do século XVIII. Escultor na prestigiada Escola de Mafra, entre 1756 e 1770, a encomenda da estátua equestre trouxe-o a Lisboa, tinha então 40 anos. Escreveu um minucioso livro sobre o trabalho, a Descripção Analytica da Execução da Real Estátua Equestre do Senhor Fidelissimo D. José I, publicado em 1810.

A VIAGEM
A estátua levou quatro dias a percorrer a distância que separava o Arsenal do Exército da Praça do Comércio. Foi preciso abrir uma rua e por imposição real, a zorra, carro de transporte da estátua desenhado por Bartolomeu da Costa, foi puxada por cerca de mil homens, pois a figura real não poderia ser deslocada por bestas.

A FESTA
A estátua foi inaugurada a 6 de junho de 1775, data do aniversário do rei. Com a Praça ainda inacabada, construíram-se uma série de elementos, em madeira, com carácter efémero, para a criação de um cenário que representasse os elementos arquitectónicos em falta como as fachadas e o arco triunfal. As festividades duraram três dias e tiveram grande adesão popular. Pombal descerrou a estátua enquanto a família real assistia incógnita numa das salas da nova Alfândega.

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