Ambiente, Município

Fernando Medina anunciou medidas de combate à seca

15, Novembro 2017
A rega vai ser interrompida nalgumas zonas e reduzida noutras, os lagos e fontes que não utilizem água reciclada serão encerrados. Medidas que, diz Fernando Medina, permitem aumentar os recursos e são um sinal político de sensibilização para a poupança deste recurso. Apesar de Lisboa não ser das cidades mais afetadas, sublinha.

Interrupção total de rega em zonas de grandes vias, redução nos espaços verdes e encerramento de lagos e fontes, são algumas das medidas imediatas anunciadas por Fernando Medina em conferência de imprensa realizada na Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcântara. Acompanhado pelo vereador da Estrutura Verde e Energia, José Sá Fernandes, o edil salientou que apesar de Lisboa não ser das cidades mais afetadas pela seca prolongada que o país atravessa, as medidas têm um sentido de “responsabilidade na poupança de recursos e na promoção de soluções ambientalmente sustentáveis”.

O local escolhido é, de resto, para o edil, simbólico face à política de adaptação aos efeitos das alterações climáticas que a autarquia tem vindo a levar a cabo, pois aquele equipamento permite que já hoje uma parte substancial da lavagem de ruas seja feita com recurso a água reciclada.

Quanto às fontes, as medidas de natureza temporária incidem sobre as que não utilizam exclusivamente água reciclada, como a Praça do Império, a Fonte Luminosa ou a cascata do Parque das Nações. Outras continuarão a funcionar porque não utilizam, no seu fundamental, água da rede pública.

Já a rega é totalmente suspensa nas áreas circundantes de grandes vias como a Segunda Circular ou a Avenida Lusíada, pois "têm condições que lhes permitem subsistir durante bastante tempo", e nas restantes zonas verdes será reduzida "ao mínimo necessário à subsistência das espécies".

Medidas que, explica, serão aplicadas nas áreas que estão sob a responsabilidade direta da autarquia, mas o presidente informa que estão a ser feitos contactos com as juntas de freguesia para que os mesmos resultados possam ser obtidos nas áreas por estas geridas.

Abastecida pela barragem de Castelo de Bode, "Lisboa não é diretamente afetada" pela seca, mas o edil sublinha que estas medidas correspondem a duas obrigações: "contribuir para o aumento das reservas que abastecem a cidade e podem ser necessárias para outras zonas do país, e dar também um sinal político muito claro que estamos a fazer os esforços necessários na sensibilização de todos para a importância de uma gestão eficiente da água que é um bem e um recurso escasso."

No presente a pensar no futuro

São "medidas de contingência num momento mais crítico em que o país vive", mas, sublinha Fernando Medina, a necessidade da cidade e do país de se adaptarem às alterações climáticas não nasceu hoje". As alterações climáticas "não são uma história do futuro mas sim uma realidade do presente", o país tem vivido com mais frequência a ocorrência de fenómenos extremos de seca ou de cheia e Fernando Medina considera que é necessário "adaptar, preparar as cidades e em particular os sistemas urbanos, pois é aí que se ganha ou se perderá a batalha".

Batalha que, explica José Sá Fernandes, tem vindo a ser travada há mais tempo. As alterações climáticas não são um problema do futuro, são um problema do presente que já sabíamos existir e por isso nos últimos quatro anos tomámos uma série de medidas", diz.

O consumo de água para regas foi, durante este período "diminuído para metade" revela, adiantando que a poupança atingiu cerca de 750 mil metros cúbicos, apesar de ter aumentado em cerca de 200 hectares a área verde da cidade. Medidas que vão ter continuidade, "nomeadamente com sistemas mais inteligentes" que já foram aplicados em zonas como o Campo Grande e o Parque Eduardo VII e serão agora estendidas a outras zonas verdes.

Nos lagos e nas fontes estão a ser aplicadas "medidas mais eficientes para reduzir as perdas de água", a utilização de água reciclada tem vindo a crescer e o vereador adianta ainda que está em curso a implementação de um sistema na frente ribeirinha, já com a rede instalada, para que a água da ETAR possa ser utilizada na rega daquela zona entre Alcântara e o Campo das Cebolas.

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