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Hotel Verride recupera Palácio de Santa Catarina

20, Janeiro 2018
  • Hotel Verride
    Hotel Verride

O vetusto Palácio de Santa Catarina (também conhecido por Palácio Verride, do conde que o habitou nos inícios do século XX), que esteve muitos anos em estado de abandono, abriu agora as suas portas como hotel de cinco estrelas - o Hotel VSC - Verride Santa Catarina. Tirando partido da excelência da localização, junto ao Miradouro de Santa Catarina (ou do Adamastor), proporciona vistas únicas sobre a cidade e o estuário do Tejo.

Com projeto de reabilitação e arquitetura de interiores de Teresa Nunes da Ponte, o novo hotel lisboeta apresenta 14 suites, quatro quartos, dois restaurantes e um bar, para além de piscina "infinita" no topo, aberta à cidade. Resulta de uma iniciativa (que remonta a 2003 e culminou na aquisição em 2012) dos atuais proprietários, os holandeses Naushad Kanji, empresário de origem indiana fundador do grupo hoteleiro de charme Winkel van Sinkel, e Kees Eijronde, personalidade ligada às artes e à cultura estética.

O ato inaugural contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, do vice presidente Duarte Cordeiro e da vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, para além de numerosas personalidades da vida social e cultural lisboeta, incluindo muitos holandeses radicados nesta cidade.

Na ocasião, o edil recordou a história do edifício, que remonta ao período anterior ao Terramoto de 1755 e foi posteriormente reconstruído seguindo a mesma traça, tendo tido diversos proprietários ao longo do tempo e servido para diversos usos (habitação palaciana, armazém, arrendamento de frações). Fernando Medina destacou a "resilência" do edifício, a frequente "litigação pela desejada vista" por parte de quem o foi cobiçando dada a "localização única" e a atual forma, resultante da "melhor recuperação possível", com "muita paixão". Assim, concluíu o autarca, "a história continua".

Transposto o belíssimo hall, em chão de mármore e decorado com um contador indo-europeu, uma singular escadaria em caracol dá acesso aos pisos superiores. O andar nobre alberga apenas as duas "suites reais" (a "King" e a "Queen"), onde se destacam um um escritório com biblioteca, sala revestida a madeira escura (incluindo o teto, em caixões), quarto com estuques barrocos, sala com banheira, forrado de painel de azulejos com cena de caça, casas de banho em mármore, ou um quarto com lareira e varanda sobre o Tejo. A suite "Arch" surpreende com o teto abobadado e um arco de pedra. Todos os quartos do hotel têm janelões, camas king size com lençóis de algodão egípcio e grandes espelhos. Numa sala de refeições "comunitária", os hóspedes podem-se reunir em torno de uma enorme mesa para 20 pessoas e desfrutar do pequeno almoço, servido até às 14 horas. No topo do edifício, uma piscina "infinita" cai sobre a vista da cidade e o restaurante "Suba" dá acesso a um pequeno belvedere com vista de 360 graus.

O Palácio Verride foi construído em 1750 e reconstruído após o Terramoto, pelo Barão e Visconde de Molelos, seguindo a traça do anterior. Sofreu uma grande remodelação em 1856, sendo então proprietário Sebastião Freitas Júnior. Em 1910 foi adquirido por João Santiago Gouveia, Conde de Verride desde 1901, que dotou o andar nobre com as linhas floreadas da Belle Époque. Em 1939 passou para a posse do poeta João Santiago Prezado, passando, em 1969, para João Santiago Corte Real, que o vendeu à Caixa Geral de Depósitos, que mandou construir o piso amansardado.

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