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Inaugurado Museu do Aljube - Resistência e Liberdade

25, Abril 2015
  • Museu do Aljube
    Museu do Aljube

"Devemos ter consciência do que custou a liberdade", assim sintetizou Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o alcance do novo Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, inaugurado no dia 25 de abril nas antigas instalações da Cadeia do Aljube.

No dia em que se comemorou o 41º aniversário da Revolução do 25 de Abril, duas centenas de pessoas acorreram à inauguração do novo espaço museológico da cidade, que tem por objetivo principal preservar a memória da resistência à ditadura e da luta política pela liberdade. Ao ato inaugural compareceram, para além do presidente da edilidade, os vereadores Duarte Cordeiro, Catarina Vaz Pinto, Manuel Salgado, Paula Marques, Jorge Máximo, Carlos Castro, João Afonso, João Ferreira e Carlos Moura, diversos deputados da Assembleia da República, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, o presidente da Comissão Consultiva do Museu, António Borges Coelho, o diretor do Museu, Luís Farinha, e outros membros da Comissão Instaladora, como Manuel Veiga, Domingos Abrantes, Fernando Rosas, Alfredo Caldeira (estes três, eles próprios presos políticos durante a ditadura) e Henrique Cayatte  - que assinou o desenho museológico - bem como o arquiteto responsável pela obra, Manuel Graça Dias. Na assistência destacavam-se ainda figuras como as do militar de Abril, coronel Vasco Lourenço, de antigos presos políticos, como o pintor Júlio Pomar, do ensaísta Eduardo Lourenço e de membros da Comissão Consultiva, como Raimundo Narciso (do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória), Diana Adringa ou Irene Pimentel.

Depois de descerrada a placa que assinala esta inauguração, discursaram o diretor do novo Museu, o historiador Luís Farinha, o prersidente da Comissão Consultiva António Borges Coelho, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina. Na sua alocução, Luís Farinha dirigiu-se "aos vivos, presentes, e aos ausentes, resistentes de todos os tempos e de todos os espaços" para anunciar este novo espaço que se destina a "acolher todos, porque a memória é plural" e um "instrumento político de construção do futuro". Depois de agradecer ao Ministério da Justiça, na pessoa do então ministro Alberto Costa, que cedeu o espaço à Câmara para este fim, à Câmara Municipal de Lisboa, nas pessoas do então e atual presidentes da edilidade, respetivamente, António Costa e Fernando Medina, pela edificação do Museu e sua futura gestão, bem como às instituições científicas e cívicas que colaboraram diretamente neste projeto (como o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova, a Fundação Mário Soares ou o Movimento Cívico Não Apaguem a Memória), o diretor do Museu concluiu com um "bem vindos à casa da liberdade!".

António Borges Coelho, presidente da Comissão Consultiva, justificou esta obra como o "exaltar da memória de milhares de prisioneiros que passaram por esta e outras cadeias do fascismo" até que "na madrugada de 25 de Abril a liberdade nos bateu abruptamente na cara". Para o historiador, que também passou longos anos preso por delito político (nomeadamente, na Fortaleza de Peniche), "as vítimas do Aljube estão agora acompanhadas pela vossa presença". 

Coube ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, encerrar a sessão. Para o edil lisboeta, o primeiro objetivo do Museu é "ser uma homenagem às vítimas do fascismo" e o segundo "ser uma homenagem à resistência e à liberdade", através da "transformação de um espaço de escuridão e dor num espaço de luz e vida". O autarca sublinhou a importância de "termos consciência do que custou a liberdade", pelo que o Museu deverá também ser um "tributo às gerações futuras", necessárias para a "construção de uma sociedade mais avançada". "Não há direitos sociais sem liberdade, por isso precisamos de mais liberdades para obter mais direitos sociais, para se materializar a efetiva liberdade", concluiu Fernando Medina.

O novo Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, agora alojado nas antigas instalações da tenebrosa cadeia onde se encarceraram sucessivas gerações de presos políticos, dispõe de quatro pisos para expor o seu espólio documental. Com arquitetura de Manuel Graça Dias e desenho museológico de Henrique Cayatte, o primeiro piso evoca aspetos da história de Portugal entre 1890 e 1976, nomeadamente, as lutas sociais e políticas do final da Monarquia e da Primeira República, a ascensão do fascismo e o carácter ideológico e repressivo do Estado Novo e o combate da resistência clandestina. O segundo piso documenta a organização da resistência e os métodos da repressão (neste piso podem-se ver os "curros", exíguas celas onde eram mantidos os presos). O terceiro piso expõe a dimensão colonialista do regime fascista e a brutalidade da sua ação nas ex-colónias. No último piso, um auditório e uma cafetaria complementam a oferta do Museu aos seus visitantes, que disporá ainda de um Serviço Educativo para visitas didáticas.

Na receção é possível comprar, por dez euros, um catálogo bastante completo e profusamente ilustrado, com design de Henrique Cayatte e textos científicos de Alfredo Caldeira, Fernando Rosas e Luís Farinha.

 

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