Intervenção social, Investir, Município

Integraçao e empreendedorismo imigrante

19, Novembro 2014
  • DELI - Mesa Redonda Museu do Fado
    DELI - Mesa Redonda Museu do Fado

O Museu do Fado acolheu em 19 de novembro uma mesa redonda para discutir o apoio ao empreendedorismo imigrante, no âmbito do projeto DELI – Diversidade na Economia e Integração Local – promovido pelo Conselho da Europa. No debate participaram diversos atores ligados à economia, ao empreendedorismo e às comunidades imigrantes em Lisboa.

No final, Cristina Santos Silva, coordenadora do DELI-Lisboa, afirmou que “o objetivo deste encontro foi amplamente conseguido”, pois permitiu consolidar o trabalho já desenvolvido em torno de uma plataforma de agentes locais para um trabalho futuro no desenvolvimento de políticas de integração e promoção do empreendedorismo imigrante, onde a Câmara Municipal de Lisboa assume um papel de charneira. 

Paulo Soeiro de Carvalho, diretor municipal de Economia e Inovação da autarquia abriu a mesa redonda, que contou ainda com a participação de Lilia Kolombet, coordenadora do DELI no Conselho da Europa e Jan Niessen, diretor do Grupo de Políticas de Migração.

 

Lisboa, cidade tolerante e multiétnica

Paulo Soeiro de Carvalho afirmou a importância deste projeto para a estratégia do município no âmbito da economia, inovação e empreendedorismo, lembrando que Lisboa “é uma cidade tolerante, com uma grande tradição multicultural e multiétnica”. 

Para o dirigente municipal a inclusão constitui uma peça importante no desenvolvimento do ecossistema empreendedor da cidade e considera o projeto DELI permite abrir portas nos espaços de incubação já criados no âmbito da Startup Lisboa. 

Para Lilia Kolombet e Jan Niessen não é por acaso que Lisboa integra o conjunto das dez cidades europeias, pois, segundo aqueles responsáveis do projeto, pela sua localização geográfica, realidade demográfica e experiência, a capital portuguesa tem um papel importante na implementação de políticas ao nível local. 

A filosofia deste projeto, lembram, radica na implementação de políticas locais de integração e de promoção de empreendedorismo junto das populações imigrantes, para que depois, ao nível macro, sejam procuradas soluções no plano europeu. E a conferência que se irá realizar em julho do próximo ano, assinalando o final do projeto, terá como objetivo tirar algumas conclusões e encontrar caminhos nesse sentido, a partir das várias experiências entretanto recolhidas. 

Os dois responsáveis europeus do DELI salientaram ainda a  importância do apoio ao empreendedorismo imigrante no desenvolvimento das economias locais e na garantia do direito de igualdade previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. 

 

Vencer barreiras

Antes ainda da realização dos dois painéis que abordaram os papeis das empresas/empreendedores imigrantes e do município, André Carmo, do DELI-Lisboa, traçou as linhas de alguns desafios para o empreendedorismo imigrante na capital, recorrendo aos resultados da análise efetuada num workshop realizado em 27 de outubro. 

O investigador adianta que os principais problemas sentidos são o acesso a recursos, a discriminação, desconfiança e preconceito e a barreira linguística, e considera que a sua superação passa pela formação, a sensibilização e o apoio institucional.  Assim, “os papéis que os parceiros da Plataforma DELI-Lisboa podem desempenhar são, fundamentalmente, ao nível do apoio à integração dos imigrantes e do apoio ao desenvolvimento e estruturação dos seus negócios”, disse.

O rico debate que juntou representantes de organizações como o Centro Islâmico do Bangladesh, a Câmara de Comércio Luso-chinesa, a Fundação Aga Kan, a Associação Renovar a Mouraria, a Micre, a Gebalis e vários gabinetes municipais, permitiu aprofundar o conhecimento da realidade em Lisboa e perspetivar o trabalho futuro em torno deste projeto, afirmou Cristina Santos Silva no balanço do encontro. 

“Saímos daqui com mais confiança e um grupo reforçado de parceiros para apoiar o empreendedorismo das comunidades imigrantes em Lisboa”, concluiu, lembrando que o próximo passo é a segunda mesa redonda que terá lugar em fevereiro do próximo ano.