Ambiente, Município

Lisboa Capital Verde já começou e nunca mais vai parar

16, Maio 2019
As linhas programáticas foram apresentadas, num autêntico arranque antecipado para a celebração da sustentabilidade ambiental que inundará a cidade em 2020. Ainda este ano estão previstas algumas iniciativas e a abertura oficial está marcada para 11 de janeiro.

A abertura oficial de Lisboa Capital Verde 2020 está agendada para 11 de janeiro, mas o arranque foi dado hoje nos Paços do Concelho com a apresentação das principais linhas programáticas, num sessão em que intervieram o presidente da autarquia, Fernando Medina, o vereador José Sá Fernandes e o Comissário Europeu Karmenu Vella.

A programação é extensa e transversal a diversas áreas da vida da cidade. Entre exposições, abertura de mais espaços verdes, conferências, iniciativas culturais, convites à participação, sensibilização da população ou a edição de um Orçamento Participativo verde, destaque para a implementação de medidas e abertura de equipamentos que vão marcar o futuro de Lisboa.

José Sá Fernandes apresentou as linhas gerais do plano traçado e sublinhou que apesar de a Capital Verde 2020 se tratar de uma distinção atribuída a Lisboa, o objetivo é abrangente no plano nacional e internacional. "Este é para mim o desafio de uma vida", afirmou ainda o vereador, que adiantou ainda "uma visão clara" para os objetivos do evento e clarificou que estes não se esgotam nas iniciativas planificadas para o próximo ano. Projetam-se no futuro, desde já no horizonte 2020-2030 (ver apresentação versão português; versão inglês)

Lisboa Capital Verde pretende constituir-se num “amplo movimento coletivo de ações concretas para a sustentabilidade ambiental e para fazer de Lisboa uma das vozes mais fortes na resposta ao maior e mais urgente desafio da humanidade: o combate às alterações climáticas”, lê-se na visão apresentada por José Sá Fernandes, vereador da Estrutura Verde, Clima e Energia.

O desafio é agora

"Lisboa será uma grande embaixadora da Capital Verde Europeia e uma grande inspiração para as outras cidades", afirmou por seu turno Karmenu Vella, que salienta "a determinação e a visão politica" para a procura de soluções que combatam as alterações climáticas. 

Já Fernando Medina vincou que as alterações climáticas não são um problema para o planeta Terra mas sim para o ser humano. “Estamos a falar da nossa vida”, disse, “a qualidade de vida é uma questão de sobrevivência” e as alterações climáticas não constituem um problema a resolver no futuro mas sim hoje.

O principal combate está nas cidades, sublinha o edil, pois é aí que que concentra a maior parte da população. Medina salienta que o desafio é político e por isso a autarquia pretende que a Capital Europeia Verde 2020 se transforme num “processo que mobilize todas as energias para a produção de medidas concretas. E queremos que Lisboa seja uma das vozes mais poderosas neste desafio.”

Por isso, adianta, o objectivo é envolver toda a sociedade em torno de mil projetos concretos em diversas áreas, do lixo aos cemitérios, da água à energia, aos espaços verdes e aos transportes.  


Compromisso, participação, ação e futuro

Lisboa Capital Verde Europeia compromete-se com os objetivos evidenciados no Plano de Ação para as Energias Sustentáveis e o Clima, no Acordo de Paris e no desenvolvimento sustentável proposto pelas Nações Unidas.

Trata-se de um compromisso de ação, em torno de iniciativas que promovam a mudança de comportamentos e que transformem o ano de  2020 num marco para o caminho da sustentabilidade. Informar o cidadão e difundir dados é palavra de ordem constante, em torno de temas como a energia e a água, o potencial solar, a infraestrutura verde e a biodiversidade, a qualidade do ar e a mobilidade, a construção sustentável e o ruído, os resíduos e a economia circular.

É também um compromisso de participação, que pretende uma grande mobilização transversal de toda a sociedade e suas organizações, da população mais jovem aos seniores, das escolas às universidades, das empresas públicas às privadas, das instituições nacionais e municipais às organizações internacionais.

Fica ainda o compromisso com o futuro, pois o objetivo é encetar um caminho que não mais terá paragens e não termina no final do próximo ano. Lisboa Capital Verde veio para ficar e desde já quer deixar um legado para o horizonte 2020-2030.

Conferência sobre alterações climáticas e Orçamento Participativo verde

Já para este ano estão previstas algumas iniciativas, como a maior conferência europeia sobre alterações climáticas - ECCA 2020 European Climate Change Adaptation Conference - que decorre entre 28 e 30 de maio no Centro Cultural de Belém e ficará marcada pela apresentação do compromisso de Lisboa para o Ambiente, Clima & Energia. Em outubro/novembro é lançada uma plataforma online.

Ainda em novembro arranca o Orçamento Participativo, cuja verba duplicará para cinco milhões de euros, que serão destinados a projetos relacionados com a agenda verde da cidade e receberão um selo verde ambiental.

2020 - celebração da sustentabilidade ambiental


A abertura da Capital Verde fica marcada para 11 de janeiro, com uma cerimónia e um espetáculo de videomapping inspirador e inovador.

Estão previstas várias exposições temáticas que abordam questões como as alterações climáticas, a reciclagem, a natureza e a biodiversidade, a água ou a energia e a luz.

A Semana Verde Europeia, em maio, será assinalada com particular significado, tal como as semanas europeias da Mobilidade (setembro) e dos Resíduos (novembro).

Estão também previstas quatro grandes conferências: a Urban Future Global Conference, a EcoProcura Conference, o European Congress of Intelligent Transport Systems 2020 e a Conferência das Nações Unidas para os Oceanos.

Grande parte dos grandes eventos que acontecem na cidade também não escapam à “onda verde”, por isso realizações como a Web Summit, as Marchas de Lisboa, a Moda Lisboa, o Rock in Rio, o Doc Lisboa e diversos outros festivais terão um foco especial no ambiente.

Marcas na cidade

A Galeria da Biodiversidade, exposição Variações Naturais, o Eco-centro - Centro de Interpretação de Resíduos e Energia, o centro de Interpretação da Água - LIS-Water (Lisbon Internacional Centre for Water), e duas peças de arte especialmente criadas para assinalar o ano Capital Verde Europeia, não deixarão que a cidade esqueça e farão com que se perpetue o tema do ambiente, do verde e da sustentabilidade.

Tal como diversas obras que ficarão concluídas durante 2020 e que contribuem fortemente para uma Lisboa mais ecológica, com mais qualidade de vida e coesão social. Destaque para os corredores verdes do Vale de Alcântara, do Vale do Forno e do Vale da Montanha, as pontes pedonais e cicláveis da Calçada de Carriche, Trancão e Gago Coutinho e a Praça de Espanha.

Verde, mais verde

A instalação de uma nova rede para a água reutilizada e de uma Central fotovoltaica, o fim do uso do plástico descartável em espaço público, a aquisição de mais autocarros para a CARRIS, alguns elétricos e outros a gás, a extensão da rede ciclável e a plantação diária de árvores, serão algumas medidas pensadas para tornar Lisboa ainda mais verde.

Tal como a instalação de mais bebedouros na cidade e o lançamento de uma app para a sua localização, a informação online sobre os custos e poupanças no consumo de água e energia na cidade, ou a criação de uma app com informação sobre os sobre os corredores verdes.

Nesta autêntica marcha ambiental não fica de fora, claro está, o envolvimento da comunidade escolar. “Para um Q.I. mais verde” é um programa que propõe diversas iniciativas e atividades, como visitas às exposições e aos novos espaços da cidade, um seminário nacional das Eco Escolas, o Dia Bandeiras Verdes, a contribuição com as propinas em quatro doutoramentos na área das alterações climáticas, um encontro nacional e internacional dos centros de investigação na área do ambiente e uma homenagem à Sociedade de Geografia e à Academia de Ciências.



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