Comercio, Cultura e Lazer

Livro "Lojas com História"

23, Novembro 2017
  • Livro Lojas com História
    Livro Lojas com História

A sessão de lançamento do livro "Lojas com História" decorreu nos Paços do Concelho, no dia 22 de novembro. Este livro é mais um elemento de um programa que, na vertente da divulgação dos estabelecimentos mais notáveis do comércio tradicional de Lisboa, conta também com site (www.lojascomhistoria.pt), ações de animação nos espaços comerciais e uma exposição patente na Rua do Crucifixo / esquina com a Rua da Conceição. O programa, que já distinguiu 82 lojas com a sua chancela, visa "preservar e salvaguardar os estabelecimentos e o seu património material, histórico e cultural, e por outro lado, dinamizar e reativar a atividade comercial", considerado "parte relevante da identidade e caráter da cidade".

O livro agora lançado pela editora Tinta da China tem mais de 300 páginas e é profusamente ilustrado com fotografias e outros materiais visuais de todas as 82 lojas distinguidas, depois do trabalho de levantamento e estabelecimento de critérios por uma equipa de trabalho (composta por elementos da Faculdade de Belas-Artes e por técnicos municipais), validado por um Conselho Consultivo. O livro resulta do trabalho da equipa da Faculdade de Belas-Artes, com textos de Joana Bértholo.

No ato de apresentação do livro, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, depois de agradecer à equipa de trabalho e autores do livro e ao Conselho Consultivo o trabalho realizado, estendeu os agradecimentos ao vice presidente Duarte Cordeiro, que tutela o pelouro da Economia, à vereadora Catarina Vaz Pinto, responsável pelo pelouro da Cultura, à União das Associações de Comércio e Serviços (na pessoa da sua presidente, Carla Salsinha) e aos lojistas, "pois este livro é pensado para salvaguardar o seu futuro". O edil lisboeta recordou que o programa surgiu em 2015, "no contexto de uma grande mudança na cidade, muito acelerada". "Há quatro anos atrás, o lema da nossa candidatura à Câmara era combater a recessão e hoje, quatro anos depois, discutimos as consequências adversas do sobre-aquecimento da economia, o que acentua a oportunidade e o mérito deste programa, que é também um movimento em que Lisboa demonstra a capacidade de fazer", constatou o autarca.

Para Fernando Medina, o que está em causa com este programa "não é uma realidade museológica mas uma aposta num futuro vivo", num "exercício difícil entre a preservação patrimonial e a vitalidade económica, que acrescenta densidade ao programa". Manifestando confiança no futuro das lojas da cidade com o desenvolvimento de políticas urbanísticas que privilegiam a proximidade, Medina concluiu alertando para o facto de "a distinção das cidades acontece pela afirmação dos seus elementos de identidade", garantindo "autenticidade que Lisboa tem sabido manter e funciona como importante aspecto na capacidade de atração do turismo", pelo que importa a "valorização destas lojas para o futuro da cidade".

A sessão de lançamento do livro, perante uma audiência que encheu o Salão Nobre dos Paços do Concelho (incluindo muitos lojistas), iniciou-se com as palavras de boas vindas da vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, que sublinhou a dupla vertente económica e cultural do programa iniciado em 2015, com o contributo de técnicos camarários de ambas as áreas e da equipa da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, destacando também o "insubstituível apoio dos lojistas", quer na elaboração deste livro, quer na exposição, quer na prossecução do programa no seu todo. Madalena Alfaia, da editora Tinta da China, agradeceu à Câmara "a confiança" e às equipas camarária e da ESBAL  o trabalho num "programa" de grande relevância cultural, económica e cívica". Isabel Lopes de Castro, da equipa de Belas-Artes, agradeceu destacou o trabalho no terreno de ambas as equipas e o desejo de que o livro seja "um veículo de promoção destas lojas" e que, "pelo seu caráter não efémero, possa permitir registar o projeto" que "coloca no mesmo patamar de importância os eixos da atividade económica, do património material e do património imaterial das lojas".

Também intervieram os olisipógrafos José Sarmento de Matos e Raquel Henriques da Silva, ambos membros do Conselho Consultivo do Programa Lojas com História. Para Sarmento de Matos, "é difícil a preservação porque a cidade muda", numa "dinâmica complexa", e elogiou o trabalho desenvolvido por se tratar de "um olhar sobre o património que tem em conta a vida e a mudança", agora registado num livro "de grande qualidade gráfica". Para Raquel Henriques da Silva, "este é um projeto de sucesso", digno de "caso de estudo" num contexto de "balanço negativo da cultura em Portugal". Para a historiadora de arte, "o resultado de dois anos de trabalho das equipas deste programa é assombroso" e "bem sucedido também pelo empenho do presidente da Câmara, que deu autonomia política às equipas de trabalho e competências ao Conselho Consultivo, e pelo envolvimento de mais de um vereador para superar a relação complicada entre cultura e economia". Henriques da Silva considera que "exposição, site e livro são um pacote completo de que devemos dizer bem e que muito deve aos lojistas, que merecem o nosso carinho".

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