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Mobilidade Sustentável em Lisboa em debate

19, Setembro 2016
Fernando Medina abriu a conferência “Mobilidade Sustentável em Lisboa” que reuniu especialistas, decisores políticos e empresas do setor dos transportes públicos e da mobilidade.
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    Mobilidade Sustentável em Lisboa em debate

No âmbito da Semana Europeia da Mobilidade 2016, a Câmara Municipal de Lisboa, em colaboração com a EMEL e a Lisboa E-Nova, organizou dia 21 de setembro, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, a conferência “Mobilidade Sustentável em Lisboa”.

Fernando Medina, presidente da autarquia, participou no encontro que reúne especialistas, decisores políticos e empresas do setor dos transportes públicos. O encontro, conta igualmente com a presença do Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, o Reitor da Universidade de Lisboa, António da Cruz Serra, a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta e os vereadores Manuel Salgado e José Sá Fernandes.

Na sua intervenção, Fernando Medina abordou uma nova "visão estratégica global de mobilidade" para a cidade de Lisboa em articulação com a área metropolitana.

"Pessoas a residir na periferia, empregos no centro urbano, e um grande número de deslocações feitas em transporte individual". Desta "forma simples" caracterizou Medina a situação atual das cidades. Um paradigma de mobilidade que está "posto em causa" com a mudança de visão estratégica do desenvolvimento da cidade e da área metropolitana.

Mais pessoas, mais emprego, mais qualidade de vida, no centro da área metropolitana, que se deseja mais inclusiva para todos, são os desígnios da nova visão estratégica sobre a organização da área metropolitana.

Relativamente à rede viária, Medina anunciou a "conclusão de um entendimento" com o Governo no sentido de “dar um papel mais central à CRIL enquanto a grande via de distribuição exterior de tráfego próxima da cidade de Lisboa”, designada como uma “primeira circular”. Desviar do centro da cidade o trânsito resultante da utilização do  aeroporto, é outro dos objetivos do município, informou.

Está em curso um “programa de forte ampliação da rede de parques de estacionamento”, anunciou ainda o autarca, em particular os que “possam ser dissuasores e para residentes”. O programa prevê, durante o ano de 2017, a criação de mais de 4 000 lugares.

Correspondendo a uma reivindicação antiga do município, está em fase de conclusão o processo de integração de 270 novos efetivos policiais na Policia Municipal de Lisboa, exclusivamente destinados à fiscalização na área fiscalização e regulação do transito na cidade, competências que são agora transferidas para a autarquia.

Uma Praça em cada Bairro”, e o “Plano de Acessibilidade Pedonal”, foram igualmente medidas destacadas por Medina, para combater as dificuldades de mobilidade, sobretudo da população mais envelhecida. Queremos “uma cidade em que todos possam circular a pé, em segurança”, com passeios seguros e confortáveis.

Os transportes públicos estiveram, naturalmente, em destaque na intervenção do autarca. A “grande questão estratégica para a próxima década na Câmara de Lisboa vai ser a incorporação da gestão dos transportes públicos, a sua melhoria, a sua capacitação, a transformação do transporte público como grande instrumento da mobilidade em Lisboa”.

A passagem da Carris, “na sua propriedade e gestão, integralmente para a Câmara de Lisboa, vai, assegurou Fernando Medina, vai “permitir melhorar de forma significativa os indicadores de desempenho a médio prazo, para a vida dos cidadãos”. Esta é uma “questão estratégica, central, para gerir a melhoria do sistema de transportes públicos”.
O sistema de transportes públicos, concluiu, “não pode ser pensado apenas a nível de cada concelho”. A “articulação” tem que ser pensada, em primeiro lugar, a nível metropolitano.

Lisboa duplica, diariamente, a sua população

Lisboa é “uma das poucas cidades europeias em que a população duplica diariamente”. Cerca de 400 mil carros entram diariamente na capital, na sua maioria apenas com um ocupante, afirmou Manuel Salgado.

De acordo com o vereador do Planeamento, Urbanismo, Reabilitação Urbana, Espaço Público, Património e Obras Municipais da autarquia de Lisboa, em cada três carros a circular em Lisboa, dois vêm de fora. O estacionamento destes carros, ocupa “uma área equivalente e cerca de 1400 campos de futebol”, alertou.

Para combater esta realidade, a Câmara aposta numa nova estratégia para a mobilidade, que passa por medidas como a melhoria da rede de transportes públicos, privilegiar os modos suaves, estender as Zonas 30, fomentar a mobilidade partilhada, e uma monitorização mais eficiente do tráfego.

Rede Ciclável de Lisboa terá mais 150 quilómetros

Até 2018, Lisboa contará com mais 150 km de ciclovias, além da rede já existente que tem atualmente 60 km. Eixo Marginal, Eixo Benfica-Braço de Prata, Eixo Circular Exterior, Eixo Alcântara-Luz, Eixo Central e Eixo Olivais, constituirão a Rede Principal.

A rede, projetada para ser “segura, amigável, funcional, e com sinalética específica à semelhança da rede do Metropolitano”, pretende “unir a cidade”, mas igualmente unir Lisboa aos concelhos vizinhos. A informação foi avançada por Sá Fernandes, vereador da Estrutura Verde da Câmara de Lisboa.

Uma rede para todos os utilizadores, “até para quem, como eu, tem medo de andar no meio do trânsito”, assegurou.
Avenida da República, Avenida Fontes Pereira de Melo, Avenida  Praia da Vitória, Avenida Rovisco Pais, Alameda dos Oceanos, Avenida 24 de julho, são alguns dos locais em que já decorrem os trabalhos. O objetivo, disse Sá Fernandes, passa por articular esta rede com os transportes públicos, bons passeios e estacionamento para as bicicletas.

De acordo com a Direção Municipal de Mobilidade e Transportes, a cidade de Lisboa tem atualmente 1 770 km de betuminoso, 60 km de Rede Ciclável, 9 469 passadeiras, 74 639 sinais de trânsito, 720 semáforos, 21 radares, 22 câmaras de visualização de tráfego, 5 painéis de mensagem variável.


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