Cultura e Lazer, São Vicente

Mural de azulejos de André Saraiva dá brilho ao muro do Jardim Botto Machado

21, Outubro 2016
  • Mural de André Saraiva
    Mural de André Saraiva

O antigo muro do Jardim Botto Machado (Campo de Santa Clara / Feira da Ladra) perdeu o seu aspeto taciturno e degradado para dar lugar ao mundo colorido e fantástico da arte de André Saraiva, que criou um mural de azulejos que agora cobre todos os 170 metros de extensão do muro, nos seus 1000 m2, com cerca de 53 mil azulejos.

No ato inaugural, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, considerou esta obra "uma extraordinária prenda que André Saraiva ofereceu à cidade", que tem o mérito de "mostrar a Lisboa de hoje e casar a sua história milenar com o futuro". Para o autarca, estas "cidades imaginárias de Lisboa pensadas sobre o azulejo" revelam características importantes da cidade, como a sua "diversidade, abertura, tolerância, multiculturalismo e cosmopolitismo".

"Lisboa sempre foi grande quando foi aberta ao mundo", recordou Medina, numa referência à cidade cosmopolita da época dos descobrimentos. Sublinhando a importância desta intervenção na revitalização da tradicional arte da azulejaria portuguesa, o edil lisboeta vê neste mural "a Lisboa dos sonhos de André" como "cidade que quer ser a casa de todos, onde cada um pode realizar os seus próprios sonhos". "Este mural eterniza a Lisboa aberta, tolerante e cosmopolita", concluiu Fernando Medina.

O artista André Saraiva tem nacionalidade francesa mas é de origem portuguesa e começou a sua atividade de artista nas ruas de Paris, onde aplicou técnicas de graffiti. A sua obra está representada em museus e galerias de todo o mundo, como em Paris, Los Angeles, Cidade do México, Tóquio ou Hamburgo. A sua primeira intervenção em Lisboa consistiu precisamente num mural de graffiti num muro nas Amoreiras, promovido pela Associação Abraço. Teve diversas obras suas expostas numa exposição no MUDE - Museu do Design e da Moda, em 2014. Regressa agora com esta intervenção que irá perpetuar-se em Lisboa, trazendo cor, luz e imaginário fantástico a este belo largo da freguesia de S. Vicente.

A diretora do MUDE, Bárbara Coutinho, apresentou, o artista e esta sua obra, confidenciando que se tratou de um projeto que durou dois anos a ser pensado e executado, envolvendo a equipa PISAL (programa municipal de salvaguarda e valorização do azulejo), diversos serviços municipais "com destaque para os da Cultura e para a vereadora Catarina Vaz Pinto" e parceiros privados, como a Fábrica Viúva Lamego (hoje integrada no grupo Aleluia Cerâmicas"), que executou os azulejos.

Também a presidente da Junta de Freguesia de S. Vicente, Natalina Moura, se congratulou com a inauguração desta "obra de arte que deve ser saboreada" e que "vai mexer com a economia local", uma "obra moderna mas que se integra bem na envolvente, com o Panteão, a Feira da Ladra e a Igreja de S. Vicente".

Na ocasião inaugural, para além dos intervenientes, destacaram-se as presenças do vice presidente da CML, Duarte Cordeiro, dos vereadores Catarina Vaz Pinto e Carlos Castro, da presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Margarida Martins, do empresário Manuel Reis e de diversos artistas e personalidades da cultura.

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