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"Os Rapazes dos Tanques" - 25 de Abril em fotos

25, Março 2014
  • "Os Rapazes dos Tanques" - o 25 de Abril em fotos
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Foi num Torreão Poente do Terreiro do Paço (local emblemático da revolução) repleto de interessada audiência que decorreu, no dia 25 de março, o lançamento do livro "Os Rapazes dos Tanques", onde o fotógrafo Alfredo Cunha e o jornalista Adelino Gomes - duas testemunhas presenciais dos exaltantes acontecimentos do dia 25 de Abril de 1974 - fazem justiça aos "240 magníficos" que integravam a coluna revoltosa da Escola Prática de Santarém, comandada pelo capitão Salgueiro Maia, bem como a quantos, não obstante marcharem nas fileiras das forças do Regimento de Cavalaria nº 7, fiéis ao regime deposto naquele dia, ajudaram à vitória da revolução.

O livro consiste numa parte "histórica", com as fotografias da época de Alfredo Cunha e um texto memoralístico de Adelino Cunha, reportando-se aos acontecimentos no Terreiro do Paço / Rua do Arsenal / Avenida Ribeira das Naus e Chiado / Largo do Carmo do dia da revolução; e uma segunda parte, com as biografias, entrevistas, comentários e fotografias atuais de 32 militares fotografados e referidos na primeira, bem como de um civil igualmente envolvido e da "capitã" Natércia Salgueiro Maia, viúva do principal protagonista das operações revolucionárias retratadas.

Na ocasião, que assinala o arranque das comemorações municipais dos 40 anos da Revoluçao de 25 de Abril de 74, estiveram presentes, para além dos autores e editor do livro, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e vereadora do pelouro da Cultura, respetivamente, António Costa e Catarina Vaz Pinto, o antigo Presidente da República, António Ramalho Eanes, os deputados Ferro Rodrigues e Manuel Alegre, o presidente da Associação 25 de Abril, coronel Vasco Lourenço, diversos militares de Abril (incluindo oficiais, sargentos e praças que protagonizaram os acontecimentos retratados no livro), o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, o presidente da EGEAC, Miguel Honrado, a presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Rio, numerosos jornalistas e muitas outras personalidades, para além de muitos cidadãos anónimos.

O editor Manuel Valente (Porto Editora) agradeceu à Câmara Municipal de Lisboa, na pessoa do seu presidente o apoio concedido à edição, pois assim, "um livro que ficaria caro pode ficar ao alcance de uma larga franja de leitores". Um dos protagonistas do livro, (o então cadete da EPC) José Amílcar Coelho, fez a apresentação deste "livro atual, que dá a palavra a gente humilde e anónima" em "discursos espontâneos e despretensiosos", recordando "o espanto e perplexidade" face aos instantes históricos que viveram, quando estiveram "face a face com deuses e demónios".

Por seu lado, outro militar de Abril, o coronel Matos Gomes evocou, sobretudo a figura do então capitão Fernando Salgueiro Maia, capaz de, nos momentos cruciais do histórico dia, ter conseguido "fazer uma gestão da tensão, procurando sempre evitar o primeiro tiro", em plena "extraordinária operação militar, de grande complexidade". O militar reformado elogiou "a sensibilidade e sentido histórico dos autores", que "souberam relativizar e captar o caráter circunstâncial do momento", transmitindo-nos "fotografias que são emoções". "É um livro que nos faz acreditar que é possível o melhor, porque continua a haver rapazes dos tanques", concluíu Matos Gomes.

O autor responsável pelos textos, o decano do jornalismo da rádio, televisão e imprensa escrita Adelino Gomes, deixou uma palavra ao autarca António Costa por haver escolhido o lançamento deste livro para a abertura do programa das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril e por ter mandado colocar sob o Arco da Rua Augusta, na entrada do Terreiro do Paço, uma grande imagem de Salgueiro Maia - a partir, precisamente, de uma das fotografias mais iconográficas deste livro.

Sintetizando, o jornalista afirmou não querer alterar "os factos que já estão fixados na História, mas de dar a voz aos rapazes", disse, referindo-se aos depoimentos que colheu entre oficiais, sargentos e praças participantes na operação militar, protagonizada, sobretudo, por elementos de Cavalaria, quer do lado dos revoltosos (EPC de Santarém e RC3 de Estremoz), quer do lado das forças fiéis ao regime de então (RC7, de Lisboa e RC4, de Santa Margarida). Momento ímpar, sublinhado pelo autor, consistiu na desobediência do atirador de um carro de combate M47, que ignorou as ordens para disparar sobre Salgueiro Maia, traçando o destino do movimento revolucionário - o cabo José Alves Costa, que, pela primeira vez desde há 40 anos sai do anonimato neste livro.

Já o outro autor, o foto-jornalista Alfredo Cunha, mais parco nas palavras, confidenciou haver percebido a importância histórica do momento apesar da juventude (tinha apenas 20 anos) e dos "nervos", mas que então, tal como agora, "a máquina fotográfica protege-me do medo e do nervoso".

A sessão foi encerrada por uma curta intervenção do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, que sublinhou o facto de este evento iniciar "um mês de comemorações dos 40 anos do 25 de Abril", destacando diversas iniciativas do programa comemorativo [ver notícia relacionada]. "Nós fomos a primeira geração a crescer em paz e em liberdade", lembrou o autarca, concluindo que "isso devemos a estes rapazes".

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