Intervenção social, Município

Primeiro inquérito à violência doméstica e de género em Lisboa

26, Julho 2017
As mulheres são as que mais sofrem violência doméstica e sexual, sobretudo em nove freguesias da cidade. Os dados do estudo foram apresentados e constituem importante matéria para a manutenção do tema na agenda, afirma o vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, que revela estar a ser preparada a abertura de um centro de atendimento para casos de violência doméstica.

Foi apresentado em 25 de julho, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) – Universidade Nova de Lisboa  -, o Primeiro Inquérito Municipal à Violência Doméstica e de Género no Concelho de Lisboa. Um estudo coordenado pelo professor Manuel Lisboa, que constitui, para o vereador dos Direitos Sociais da Câmara Municipal um importante instrumento de trabalho futuro, particularmente para a construção do segundo plano  de desenvolvimento social de Lisboa.

O estudo, que resulta de uma parceria da autarquia com o Observatório Nacional de Violência e Género (ONVG), revela uma prevalência de vitimaçãofísica psicológica e sexual superior nos homens (61,9 por cento). Já a violência doméstica é maior sobre as mulheres (28 por cento), que também sofrem mais nas relações de intimidade (23 por cento). 

Aplicado a uma amostra de 2616 pessoas (1314 mulheres e 1302 homens) no concelho de Lisboa, o inquérito revela ainda que há nove freguesias na cidade em que se faz sentir mais a violência física, psicológica e sexual sobre as mulheres (Santa Maria Maior, Santo António, São Vicente, Avenidas Novas, Benfica, Lumiar, Santa Clara, Olivais e Parque das Nações), número que baixa para quatro no que concerne aos homens (Carnide, Alvalade, Parque das Nações e Beato). 

Confirmando o que se suspeitava, salienta Manuel Lisboa, as crises económicas provocam um aumento da violência, particularmente as situações de desemprego. 

As mulheres são também as que mais sofrem com atos de violência psicológica, enquanto que no total dos inquiridos foram os homens quem relatou maior incidência de violência física.

Já o local onde mais decorrem atos de violência contra homens é no espaço público, enquanto que as mulheres são agredidas maioritariamente em privado e por ex-parceiros. Os resultados revelam ainda uma grande disparidade quanto ao tipo de agressores: mais de três quartos das agressões a mulheres são perpetradas por homens, género que, no inverso regista menos de metade de agressões feitas por mulheres. 

Um dado a merecer atenção e trabalho futuro, salienta o académico, é o facto de 62 por cento das mulheres ainda afirmar que não fez nada em relação a atos de agressão.  28 por cento desabafaram e apenas 33 por cento reagiram. 

Também a discriminação sociocultural sobre as mulheres é ainda elevada (62,8 por cento) e as reacções a um piropo são bem distintas: 20,1 por cento das mulheres sentem-se incomodadas, três por cento manifestam-se mesmo ofendidas e apenas 17 por cento acharam graça ou se sentiram elogiadas;  26,2 por centro dos homens gostaram e apenas 11,6 se sentiram incomodados. 

Manuel Lisboa adianta algumas sugestões para uma intervenção municipal mais eficaz nesta área, que passam por medidas de prevenção e uma política de intervenção integrada com centralidade na vítima.  

A amostra trabalhada é estatisticamente representativa das mulheres e homens residentes no concelho de Lisboa com mais de 18 danos de idade, para uma margem de erro de dois por cento e um nível de confiança de 95 por cento. O questionário foi aplicado presencialmente, porta-a-porta, nas 24 freguesias de Lisboa, com sete pontos de entrada por cada freguesia. Resultou numa base de dados composta por 6455 variáveis e Manuel Lisboa salienta o caráter local do estudo. 

Mais notícias sobre:
Intervenção social, Município