Belem, Cultura e Lazer

Retornar - Traços de Memória

03, Novembro 2015

A partir da exposição Retornar - Traços de Memória que inaugurou a 4 de novembro, na Galeria Av. da Índia, a cidade propõe, ao longo de quatro meses e em vários espaços, uma reflexão sobre os 40 anos da vinda das ex-colónias portuguesas de África através de debates, teatro, performances, visitas comentadas e intervenção urbana na zona ribeirinha. 

Retornar - Traços de Memória é uma iniciativa da empresa municipal de cultura de Lisboa, EGEAC, desenvolvida pelas Galerias Municipais de Lisboa para assinalar os 40 anos do movimento que ficou conhecido por retorno das ex-colónias portuguesas e teve o seu auge na ponte aérea de 1975. 

Com uma programação transdisciplinar que decorre ao longo de quatro meses, a iniciativa apresenta olhares da arte, literatura, antropologia, história e política para promover o diálogo e o conhecimento sobre o fim do império colonial português. Num projeto que promove o cruzamento entre as artes e as ciências humanas, a exposição inaugura um novo espaço expositivo: a Galeria Av. da Índia, em Belém. 

Comissariada pela antropóloga Elsa Peralta, a iniciativa baseia-se em investigação académica no diálogo com o trabalho de artistas, como Manuel Santos Maia. Com um enfoque na experiência humana, a exposição inclui testemunhos pessoais inéditos, documentos históricos, fotografias de época e de autor e memorabília pessoal.

Na zona ribeirinha, junto ao Padrão dos Descobrimentos, haverá uma intervenção urbana com contentores que introduz o tema da exposição através da exibição de uma fotografia de Alfredo Cunha, tirada naquele preciso local, em 1975.

Ao longo dos quatro meses em que a exposição estará patente ao público, o Padrão dos Descobrimentos, local simbólico da construção da memória imperial portuguesa, acolherá debates que refletem diferentes olhares sobre este momento histórico, através de personalidades como Eduardo Lourenço, Adriano Moreira, Dulce Maria Cardoso, entre outros. Na Galeria Av. da Índia, um programa de visitas comentadas, que promove a reflexão sobre a experiência do retornar, conta com a participação de académicos e ensaístas como Maria Filomena Molder e António Pinto Ribeiro.

O início e o encerramento da exposição serão assinalados com uma performance de Joana Craveiro, atriz e encenadora com um vasto trabalho artístico sobre questões pós-coloniais, que apresentará no Padrão dos Descobrimentos Um museu vivo de memórias pequenas e esquecidas.

Em janeiro, o Teatro São Luíz acolherá o espetáculo Portugal Não é Um País Pequeno, de André Amálio, que relata a experiência de antigos colonos portugueses a partir de testemunhos reais.

No dia da inauguração será disponibilizado um website com informações sobre o programa expositivo, convidando à participação da sociedade civil na construção de uma memória crítica que se estende além do tempo de duração da exposição. Em paralelo, será publicado pelas Edições 70 um livro de ensaios, organizado por Elsa Peralta e Joana Gonçalo, com o título Retornar – Traços de Memória num Tempo Presente. Estas iniciativas são realizadas em parceria com Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa.

O programa conta com o apoio institucional da empresa Liscont, do Arquivo Histórico Ultramarino / DGLAB, do Instituto de Investigação Científica Tropical/Universidade de Lisboa, da Biblioteca Nacional de Portugal, do Arquivo Nacional Torre do Tombo e do Arquivo Municipal – Fotográfico.

O PROGRAMA PARALELO DA EXPOSIÇÃO INCLUI:

Visitas comentadas à exposição - Galeria Av. da Índia

Instalação/intervenção urbana - zona ribeirinha contígua ao Padrão dos Descobrimentos

Debates/conversas - Padrão dos Descobrimentos

Performance de Joana Craveiro - Padrão dos Descobrimentos

Espetáculo de André Amálio - Teatro São Luiz

Ficheiros associados:
Locais_da_Exposicao.jpg42 K
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