Roteiro para a Neutralidade Carbónica

11, Outubro 2017
A Culturgest acolheu, no dia 11 de outubro, a conferência para apresentação do Roteiro para a Neutralidade Carbónica, um compromisso para a redução das emissões carbónicas até 2050 que Portugal subscreve. Na sessão de abertura dos trabalhos estiveram o primeiro-ministro António Costa, o ministro do ambiente, João Pedro Fernandes e o presidente da CML Fernando Medina.

A abrir a sessão Fernando Medina começou por salientar a importância do debate político sobre as alterações climáticas, de que Lisboa quer estar na liderança, e o papel das cidades, que desde o acordo de Paris, assumiram o papel central neste combate na tomada de medidas perante as alterações climáticas. Falando do que está a ser feito a nível da mobilidade e organização do espaço público com vista a uma maior eficiência energética o autarca passou a dar conta das várias estratégias implementadas na cidade. “Este desafio coloca às cidades um enorme desafio e um imenso trabalho de organização e de mudança de cultura”, disse Fernando Medina, lembrando a ainda predominância do transporte individual e a necessidade de promover o transporte público e a mobilidade suave de modo a inverter o nível de emissões que ainda se fazem sentir nos grandes centros urbanos. A aposta nestas últimas estratégias tem-se revelado através do esforço de redesenhamento da cidade de que as ciclovias são um exemplo. A ilustrar o impacto da mudança de atitude, Fernando Medina afirmou: “por cada mil pessoas que optem por andar de bicicleta, reduz-se em cinco quilómetros as filas de automóveis”. O redesenho do espaço publico, explicou o autarca, que ao longos dos anos foi traçado para servir a mobilidade através do automóvel entra agora numa mudança de paradigma. A implementação de medidas de eficiência energética, por exemplo, através do aproveitamento da energia solar ou de outras fontes renováveis, para complementar a rede energética, a requalificação do edificado de modo a torna-lo mais eficiente são medidas concomitantes que devem acompanhar a implementação das estratégias de mobilidade. A um outro nível a cidade tem vindo a fazer um esforço para promover a recaptura de carbono e Fernando Medina deu o exemplo do eixo central onde a plantação de 750 árvores têm como efeito esperado a redução em 3º C da temperatura daquela via central da cidade. A terminar, Fernando Medina referiu ainda o projeto de prolongamento do parque da Bela Vista até ao rio, com a consequente renaturalização da zona este da cidade com 250 hectares verdes, cerca de um quarto da dimensão do Parque de Monsanto, criando-se aqui um projeto de impacto significativo para os indicadores ambientais. A terminar Fernando Medina reforçou a necessidade da participação de todos na prossecução destas metas. 

O ministro do ambiente, João Pedro Matos Fernandes salientou a importância do acordo de Paris, a necessidade de elevar o perfil do sector dos transportes para a sua descarbonização e de mecanismos económicos e fiscais eficazes para promover o alcance dos objetivos definidos neste roteiro. O ministro salientou ainda as várias medidas implementadas em Lisboa e Porto, enquanto importantes centros de referência, para a implementação das mudanças a escala nacional colocando a tónica na responsabilidade das políticas locais para a implementação das políticas centrais para prosseguir o objetivo de neutralidade carbónica. “Com este roteiro pretendemos determinar os passos a dar e as políticas a implementar”, disse João Pedro Matos Fernandes, “de modo a chegarmos à descarbonização zero em 2050, daí que a participação de toda a população seja fundamental”. 

António Costa começou por afirmar a posição de Portugal na liderança da descarbonização ao comprometer-se e por atingir as metas dos compromisso assinados em Quioto e em Paris, colocando-se na dianteira das políticas de ambiente. “Uma sociedade neutra em carbono, aquela que todos temos de conseguir, será criadora de riqueza mais sustentada, emprego mais qualificado e bem-estar mais partilhado”, afirmou acrescentando: “o caminho para a neutralidade carbónica é um caminho centrado nas pessoas, no conhecimento e na produção de riqueza”.  A aposta na mobilidade leve, na reconversão dos transportes públicos e a produção de energias a partir de fontes renováveis são estratégias a prosseguir no futuro”. 

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