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Voz do Operário: 135 anos a dignificar o trabalho e a educação

18, Fevereiro 2018
“É uma instituição que nasce de um gesto pioneiro sob o desígnio da dignificação do trabalho e da educação”, lembrou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa nas celebrações do 135.º aniversário da Voz do Operário, sublinhando o papel da coletividade “ainda hoje central na sociedade lisboeta para a construção de uma sociedade melhor”.

A Voz do Operário faz 135 anos e a efeméride foi assinalada nas suas instalações com  uma sessão solene que incluiu o lançamento de um livro e uma homenagem ao apresentador de televisão Júlio Isidro. Fernando Medina participou nas celebrações e afirmou a vontade da autarquia continuar a apoiar aquela que, nas suas palavras, é uma instituição forjada sob os desígnios “da dignificação do trabalho e da educação, ainda hoje central na sociedade lisboeta para a construção de uma sociedade melhor.” 

“Um projeto com 135 anos que mantém a vitalidade e o espírito com que foi criado”, afirmou o presidente da Mesa da Assembleia Geral, Libério Domingos, projeto que, lembrou o jornalista Alberto Franco, autor do livro editado para assinalar este percurso, começou em 1879 com um grupo de operários da indústria tabaqueira. “O país atravessava uma grande crise financeira, na base dos trabalhadores estava um grande leque de operários sem formação, a quem os media não davam voz”, e é nesse contexto que um operário chamado Custódio Gomes exclama: “soubesse eu escrever que não estava com demoras. Já há muito que tínhamos um jornal.”

Intervenção pioneira

Estava assim lançado o desafio para os alicerces daquela que viria a ser uma das mais prestigiadas organizações lisboetas, que começa nesse ano com a publicação do jornal A Voz do Operário e continua, em 1883, com a Sociedade Cooperativa A Voz do Operário (ver história).

A coletividade hoje expande-se até à margem sul, explica o jornalista, “substituindo-se muitas vezes, ao longo destes anos, ao Estado na educação de milhares de crianças.” Uma intervenção educativa que, salienta ainda, segue o sentido prático da autonomia do aluno e se tem estendido para domínios da assistência social, como a assistência na gravidez e aos recém-nascidos. 

É, vinca o autor do livro, “uma instituição da cidade de Lisboa e com ela está indissociavelmente ligada”. Afirmação que Fernando Medina corrobora,  salientando que a Voz do Operário “nasce de um gesto pioneiro sobre a dignificação do trabalho e da educação, num pais que sentia forte atraso”. 

A escolarização, continua o edil, é “uma grande conquista do 25 de abril, só agora estamos a conseguir cumprir os mínimos que muitas sociedades alcançaram há mais de uma centena de anos e o excepcional deste projeto [Voz do Operário] é a conciliação da luta dos trabalhadores com o esforço da instrução. 

Valores atuais

Medina lembra o papel da coletividade no combate ao regime totalitarista do Estado Novo, papel “ainda ainda hoje central na sociedade lisboeta para a construção de uma melhor cidade”, e deixa “uma palavra de compromisso” em continuar a apoiar a Voz do Operário, “não por medida de cortesia mas por partilhar os valores que estiveram na vossa formação e que são os nossos valores de hoje.”

Na cerimónia participaram, entre outras individualidades, os presidentes das juntas de Freguesia de São Vicente e Santa Maria Maior, Natalina Moura e Miguel Coelho, a atriz Eunice Muñoz e o musico e compositor Carlos Alberto Moniz. 

Júlio Isidro, sócio honorário do clube, que confessou estar a faltar a uma reunião do júri para o Festival da Canção, a que preside, manifestou-se honrado pela homenagem e declarou-se “o mais antigo trabalhador televisivo precário”. Numa emocionada intervenção, o conhecido apresentador saudou a Voz do Operário  e confessou que apesar de ter pisado aquele palco por diversas vezes e de ter recebido ao longo da sua carreira diversos prémios, o galardão atribuído “tem um grande significado, tanto mais que se trata de uma organização chamada Voz do Operário”. 

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