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A infância não se repete

29, Março 2015
  • Campanha "A infância não se repete"
    Campanha "A infância não se repete"

O objetivo é provocar o debate na opinião publica salientando que maus tratos não são apenas físicos, alertar para a negligência infantil e contribuir para a mudança de comportamentos. Trata-se da campanha “A infância não se repete”, uma iniciativa da associação Caminhos da Infância que pelo segundo ano consecutivo está na rua e tem o apoio da Câmara de Lisboa.

Apresentada em 28 de março no Museu da Eletricidade, a campanha começa a ser visível já a partir de abril na rede de mupis da cidade e nos transportes públicos da CARRIS e METRO, coincidindo com o Mês Internacional da Prevenção do Mau Trato na Infância.

A apresentadora de televisão Leonor Poeiras e os atores Carla Galvão, Pedro Teixeira e Filipe Duarte são as quatro figuras públicas que dão a cara para esta campanha, com assinatura da agência de publicidade “It’s Happening” e produção fotográfica da produtora “Garage”. As participações são todas a título pro bono e incluem ainda uma exposição pública de fotografia de Pau Storch, que será afixada junto ao Museu da Eletricidade. Na apresentação participaram também os jornalistas Rita Ferro Alvim e João Moleira.

 

Mudar comportamentos

Inês Poeiras, presidente da associação Caminhos da Infância, afirmou no lançamento que “a campanha é mais uma resposta à persistência dos maus tratos a crianças, que continuam a ser muito significativos e afetam transversalmente a população portuguesa.” A negligência parental não afeta apenas um ou outro estrato social, disse. 

Fala-se muito da agressão física mas os dados estatísticos revelam uma predominância da negligência no que concerne ao mau trato infantil, salienta, esclarecendo que por se manifestar pela ausência dos pais, sem “danos visíveis”, se trata de uma realidade que é mais difícil de comprovar. Por isso, querem provocar “uma mudança geracional” nos próximos anos.  

É o segundo ano da campanha e Francisca Carneiro, também responsável pelo projeto, mostra-se satisfeita pelo salto qualitativo que a campanha tem agora. O primeiro ano “correu muito bem” e o impacto junto dos órgãos de comunicação social foi “espetacular”, afirma.

O ano passado serviu para dar a conhecer os objetivos da campanha e agora querem ir mais longe, pelo que a campanha se centra principalmente sobre a negligência. Porque, diz, “existe um grande vazio de informação na sociedade” sobre este tema.

Mas esta é uma campanha diferente, levada a cabo de “forma positiva, simpática, que não seja sempre culpabilizante, chata e cansativa”, pois não se procura “criar culpas” mas sim “despertar consciências”, frisa.

Cada cartaz remete para uma história infantil do nosso imaginário e o que se procura é “promover a disponibilidade dos pais para o imaginário das crianças”, explicou Inês Poeiras. Capuchinho Vermelho, Pé de Feijão, Três Porquinhos e Alice no Pais das Maravilhas são histórias marcadas pela ausência dos pais, que, nesta campanha são introduzidos e afirmam a segurança das figuras paternais junto das crianças: “mesmo que façam asneiras”, transmitindo segurança e presença. 

A campanha foi realizado em parceria com o Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE-IUL, que contou com a participação ativa da sua coordenadora, Maria Manuela Calheiros.

 

A associação Caminhos da Infância

A associação Caminhos da Infância - Núcleo Inaciano de Protecção da Infância é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) constituída em 2012 com o objetivo de oferecer uma resposta construtiva a questões sociais prementes na nossa sociedade. 

O objetivo primeiro da Caminhos da Infância é a promoção e proteção da criança nas suas dimensões bio-psico-afetiva e espiritual, respeitando as suas características individuais e contribuindo para a correção dos efeitos discriminatórios que as condições sócio-culturais possam potenciar, no sentido de uma verdadeira cultura de justiça e solidariedade.

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