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BIP-ZIP nos Anjos com a Taberna das Almas

09, Novembro 2013
  • Feira das Almas
    Feira das Almas

Oficinas de escultura em madeira, costura, marcenaria e restauro, cerâmica e olaria, são as recentes novidades da Taberna das Almas, um espaço gerido pela Associação Recreativa da Taberna das Almas (ARTA) que desenvolve na zona dos Anjos um projecto social ligado às artes e aos ofícios. As oficinas oferecem gratuitamente aprendizagem em vários dias por semana, um projeto integrado no BIP-ZIP (Bairros de Intervenção Prioritária) da Câmara de Lisboa que contempla também workshops musicais, dança e teatro. 

O amplo edifício com entrada pelo número 70 da Rua Regueirão dos Anjos, em que outrora funcionaram uma biselaria e uma tipografia, acolhe desde setembro as oficinas que coabitam com as diversas actividades desenvolvidas pela associação. Particularmente, nos primeiros sábados de cada mês, a já conhecida Feira das Almas.

Com inscrições gratuitas, as oficinas e workshops funcionam também em dias diversos da semana e em vários horários. De resto a ARTA dispõe de um espaço no Facebook, onde é possível conhecer as suas actividades e contactos.

 

Reabilitar o Regueirão

Vitor Rodrigues, dirigente da ARTA e coordenador deste projeto no âmbito do BIP-ZIP, explica que o “objectivo é fundamentalmente cultural e social”, procurando “sem quaisquer critérios ecléticos, dar oportunidade a artistas e artesões para que se exprimam e encontrem neste espaço uma forma divulgar o seu trabalho”.

O nome do espaço e da associação encontra em “taberna” o sentido de convívio e alimento, esclarece Vitor Reis, explicando ainda que o edifício divide paredes com a igreja do Resgate das Almas. “Este é por isso o espaço onde se alimentam as almas, o espírito das pessoas - aqueles que aqui procuram convívio e condições para produzir, divulgar e vender o seu trabalho”, conclui.

Associado a este desiderato está um outro: o de revitalizar a zona do Regueirao dos Anjos. “O Regueirão foi uma zona extremamente degradada mas temos procurado demonstrar que aos poucos é possível instalar aqui um espaço de cultura e trazer nova gente”, afirma. 

 

Uma feira mensal

Entre restos de maquinaria, em cima de balcões de trabalho e debaixo das longas vigas que sustentam o velho telhado, a Feira das Almas dá nova vida às antigas fábricas e alberga agora bancas de produtos diversos – da decoração ao vestuário, dos livros à alimentação. 

A maioria das roupas são em segunda mão e muitas recicladas, a que de resto se dedica a oficina de costura do projeto BIP-ZIP, como explica uma das suas responsáveis, Vera Lúcia: “aqui procuramos que as pessoas se orgulhem e tenham gosto pela transformação de peças de roupa a que já não davam uso. A ganga por exemplo, pode ser tingida ou descolorida, pode ser trabalhada e dar origem a peças de muito bom gosto e modernas”.

Não faltam produtos derivados da colmeia – entre mel, sabonetes, licores e bolos – há espaço para performances musicais e mesmo para massagens a preços acessíveis. 

Apesar de separada fisicamente mas apenas ao alcance de dois lances de escadas, a zona das oficinas confunde-se com a feira e é com frequência visitada. Pedro Vaz e Jorge Vanzeller, marceneiros, trabalham com afinco no restauro de uma velha cadeira, na olaria está tudo a postos para que cheguem os artesãos. 

Catarina Querido e Maria Lopes, produtoras da Feira das Almas explicam com orgulho o projeto, um espaço que se abre à comunidade todos os primeiros sábados de cada mês, “onde se vende um pouco de tudo, desde roupas em segunda mão a novas marcas ligadas a projectos de empreendedorismo… pessoal que está em casa e não arranja emprego mas consegue aqui outras formas de ocupar o seu tempo.”

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