A Bicicleta nas cidades em debate

Setembro 18, 2017

A Câmara Municipal de Lisboa, em colaboração com a EMEL e a Lisboa E-Nova, organizou no dia 18 de setembro no auditório do Caleidoscópio, a conferência “A bicicleta nas cidades, casos de Lisboa e Copenhaga”, com o objetivo de partilhar as experiências dinamarquesa e portuguesa em estratégias de desenvolvimento e investimento em mobilidade de bicicleta no contexto da cidade, bem como as vantagens em termos ambientais e de sustentabilidade

Participaram no encontro, que teve como orador Klaus Bondam (diretor da  Danish Cyclists Federation), o vereador da estrutura Verde e Energia da CML, José Sá Fernandes, e Luís Natal Marques, presidente da EMEL.

Luís Natal Marques destacou o empenho da EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa) nas questões da mobilidade, procurando incentivar as pessoas a não trazerem os veículos para a cidade. Entram em Lisboa 600 mil veículos para 200 mil lugares de estacionamento, referiu, acrescentando que se está a assistir a uma mudança de paradigma em relação ao automóvel, privilegiando o uso e não a posse, numa economia de partilha. Estão previstas para Lisboa 140 estações com 1410 bicicletas, a maior parte no planalto central da cidade.

Desde os anos 80 que Copenhaga se empenhou em introduzir o uso da bicicleta na cidade, pensada como “uma cidade para as famílias”, sustentável e boa para se viver, disse Klaus Bondam no início da sua intervenção . Integrado nas estratégias da União Europeia para a bicicleta, nos últimos 12 anos foi feito um grande investimento para criar uma nova geração de ciclistas. Este esforço levou a que atualmente 99% dos dinamarqueses se vejam como ciclistas. A federação de ciclismo dinamarquesa promove o uso da bicicleta a partir do jardim de infância, sendo usada por todas as idades e para vários fins, incluindo transporte de crianças e como cargo-bikes em atividades comerciais.

Pelo seu lado, José Sá Fernandes resumiu o caso de Lisboa na introdução deste modo de mobilidade. Como o relevo acidentado da zona histórica dificultou a introdução da bicicleta num primeiro passo consistiu na ligação dos grandes parques, “ligando em verde” a cidade. O passo seguinte foi estudar a forma como outras cidades da europa, incluindo Copenhaga, introduziram a bicicleta, formaram redes de vias cicláveis e de bicicletas partilhadas, “Lisboa não quer emitar Copenhaga mas quer aprender com Copenhaga”. É objetivo da autarquia incentivar os estudantes da capital, “a maior cidade universitária do país”, a utilizar a bicicleta para ligar os diferentes polos universitários, rede que se espera completa nos próximos 4 anos. “Brevemente vamos todos andar de bicicleta”, concluiu o autarca.