Lisboa Capital Verde: uma montra da sustentabilidade

Junho 22, 2018
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O presidente da Câmara Municipal de Lisboa afirmou em conferência de imprensa que a distinção de Lisboa Capital Verde Europeia 2020 "é o reconhecimento de uma visão política que coloca a sustentabilidade económica, financeira e social, mas sobretudo a ambiental", como elemento central do projecto da autarquia para a cidade. No encontro com os jornalistas, em que interveio também o vereador da Estrutura Verde, Clima e Energia, José Sá Fernandes, foram abordadas as principais linhas da candidatura e os desafios que agora se abrem. 

Convicção profunda

“Uma visão que começou há dez anos e temos vindo a desenvolver de múltiplas formas”, afirmou Fernando Medina, que salienta o facto de Lisboa ter sido a primeira capital do Sul da Europa a receber o galardão e explicou as razões que levaram à decisão do júri, particularmente quanto às questões da energia, da água e da estrutura verde. “Foi muito impressivo para todos os elementos os resultados que Lisboa conseguiu”, salienta, adiantando que para além dos progressos conseguidos nestas áreas, o elemento mais determinante terá sido “a convicção que todos sentiram que isto correspondia à nossa convicção profunda para a cidade de Lisboa”. 

Nos rol dos argumentos estiveram desde logo as características de uma cidade milenar no Sul da Europa, que implicam um “trabalho diferente e mais arrojado” em relação aos países nórdicos. “Todas as questões da sustentabilidade interagem umas com as outras”, sublinha o edil, e essa realidade presidiu na estrutura da elaboração. 

Quanto à área da energia e da eficiência energética, Medina salienta que a cidade conheceu uma redução significativa nas emissões de carbono “mas temos o compromisso político de atingir a neutralidade, que significa um saldo zero  entre o que é emitido e o que é capturado”. A aposta na modernização do transporte público, a reconstrução da rede de elétricos e “a ligação deste sistema com uma rede de mobilidade partilhada fazem parte do caminho que já começou a ser trilhado e o presidente da autarquia lembra alguns resultados, como o do sistema de bicicletas partilhadas. 

Uma referência

Iluminação e eficiência energética foi outra das vertentes apresentadas, particularmente no que concerne ao que tem vindo a ser feito ao nível dos semáforos e da iluminação pública. Mas também na área da habitação, a privada e a de iniciativa pública municipal, disse, exemplificando com os projetos já implementados no Bairro Padre Cruz e no Bairro da Boavista. “Temos que ser uma referência na eficiência energética, no tratamento da água e no tratamento dos resíduos, é o que estamos a fazer, afirmou, para adiantar que este será também o princípio a aplicar nos projetos de Renda Acessível  e revelar que a cidade pretende ser um “centro produtor de energia, aproveitando a extraordinária capacidade da energia solar”. 

A terceira vertente é a água, “este recurso escasso, extraordinário, que nós temos”, e Fernando Medina salienta que “graças ao esforço da EPAL somos hoje uma das cidades do mundo com menos perdas na rede”. Mas à autarquia também cabe parte do esforço e o edil lembra as mudanças efetuadas nos sistemas de irrigação, que têm permitido reduções importantes, o processo de despoluição do Tejo completado em 2009. 

Há ainda trabalho a fazer, continua, designadamente a transformação das estações de tratamento de águas residuais (ETAR’s) e dos sistemas de saneamento em “fábricas de água”, permitindo a sua reutilização. Será, vinca, “um dos projetos bandeira da cidade nos próximos anos”, que visa criar “um sistema integral” para a reutilização da água na rega de jardins e lavagem de ruas. 

Na decisão do júri pesou ainda o Plano Geral de Drenagem e Fernando Medina vinca o “investimento estratégico de uma cidade que tem que se proteger das alterações climáticas”, particularmente através da construção de bacias de retenção e grandes túneis para desvio do caudal, bem como. Os resíduos constituem uma outra área em todo este projeto integrado, além “do progresso que fizemos e da eficiência que temos hoje” há trabalho ainda a realizar, diz, desde logo no aumento dos índices de separação dos lixos, no programa de compostagem  e na criação de soluções que respondam a problemas concretos e reforcem a sensibilização para a reciclagem. 

Compromisso sério

A estrutura verde não poderia deixar de constituir um dos argumentos fortes nesta vitória de Lisboa, “tem sido aumentada e vamos continuar”, afirma o edil, esta estratégia permite atingir diversos objetivos como a proteção das ondas de calor, o plano de prevenção das cheias, a redução do ruído e  a criação de novas formas de mobilidade. Praça em cada Bairro, Campo das Cebolas e Cais do Sodré foram alguns dos exemplos para convencer o júri, complementados nesta área com a preocupação pela biodiversidade e outros projetos como a vinha, os prados de sequeiro ou as hortas urbanas. 

“São estes pontos que fizeram a diferença, um compromisso muito sério com a sustentabilidade nas múltiplas dimensões”, conclui Fernando Medina, que afirma o prémio como “um incentivo para andarmos mais depressa e fazermos os outros andarem mais depressa”. A convicção é a de “transformarmos 2020 no ano da sustentabilidade, todos os dias”, procurando mobilizar as forças da cidade e da Europa.   

“Vai ser uma festa”, diz por seu lado José Sá Fernandes, para quem a autarquia impressionou pelo que já fez mas também pelo muito que pretende fazer.