As alterações climáticas são consideradas um dos maiores desafios ambientais do século XXI que exigem uma intervenção global imediata. Esse propósito conduziu à subscrição do Acordo de Paris, na 21.ª Conferencia das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21), em dezembro de 2015. Deste Acordo,  195 países membros da Convenção do Clima da ONU, incluindo a União Europeia, comprometeram-se a atuarem de forma imediata e conjunta, na redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE), no aquecimento global, estabelecendo metas de valores inferiores a 2ºC relativamente aos níveis pré-industriais e a envidar esforços para limitar esse aumento da temperatura em apenas 1.5ºC.

À escala local, em Lisboa, a revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), aprovada em 2012, vem a definir os princípios estratégicos de mitigação e adaptação às alterações climáticas, alinhados com as suas políticas urbanísticas, para os quais concorrem, de foma mais acutilante, os sistemas ecológicos e de mobilidade.

A aprovação da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC) de Lisboa, em 2017 e do Plano de Ação para as Energias Sustentáveis e o Clima (PAESC), em 2018, desenvolvido no âmbito do Pacto dos Autarcas para o Clima e Energia subscrito por Lisboa, ilustram a ambição da cidade em contribuir para o cumprimento dos objetivos e metas atrás definidas. Este Plano de Ação vem a constituir um instrumento de monitorização do desempenho da Cidade, estabelecendo ao nível local os seguintes objetivos:

    1 - reduzir as emissões de carbono em 60% até 2030
    2 - atingir a neutralidade carbónica em 2050
    3 - diminuir o consumo de água potável em 20% até 2030

Em 2018, a cidade de Lisboa foi distinguida com o galardão de Capital Verde Europeia 2020, para o qual concorreram os esforços empreendidos pelo Município na melhoria do desempenho ambiental ao nível local. Em fevereiro de 2019 Lisboa associou-se à rede de Cidades C40, criada para partilha de políticas e boas práticas no que concerne aos desafios climáticos.

Para aprofundar o conhecimento sobre vulnerabilidades à temperatura elevada na cidade de Lisboa, a CML apresentou uma candidatura ao Programa Operacional da Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) – Eixo “Promover a adaptação às alterações climáticas e a prevenção e gestão de riscos”, tendo obtido a aprovação de cofinanciamento do FEDER/FC para a execução da do projeto "Ondas de Calor em Lisboa".

O que é uma Onda de Calor?

Uma onda de Calor (OC) ocorre quando num intervalo de pelo menos 6 dias consecutivos, a temperatura máxima diária é superior em 5ºC ao valor médio diário no período de referência (média dos últimos 30 anos) [Organização Meteorológica Mundial].

O que são Ilhas de Calor Urbano?

O efeito de ilha de calor é o fenómeno observado em áreas urbanas, onde os valores de temperatura do ar, em média, são superiores às que se verificam em zonas rurais circundantes. Assim, as ilhas de calor urbano (ICU) são tanto mais expressivas quanto mais densamente construídos forem os aglomerados urbanos, devido à sua maior absorção, retenção e geração de calor e menor for a presença de infraestruturas verdes e azuis.

O que é o projeto Ondas de Calor em Lisboa?

É um projeto que visa aprofundar o conhecimento dos efeitos das alterações climáticas projetadas para o município de Lisboa até ao final do século, no que se refere ao cenário de aumento da temperatura média anual, em especial das temperaturas máximas, através da produção de cartografia temática relativa a Ondas de Calor (OC) e Ilhas de Calor Urbano (ICU), bem como, a conceção de ferramentas de suporte ao planeamento e à estratégia municipal de adaptação e mitigação da cidade.

Quais os objetivos do projeto Ondas de Calor em Lisboa?

Este projeto prossegue os seguintes objetivos de conhecimento sequencial:

1)  Melhorar o nível de conhecimento do território:

A cartografia numérica vetorial, contém a representação espacial detalhada das componentes de ocupação do território e é indispensável ao desenvolvimento do modelo tridimensional de ocupação urbana superficial.
Estas bases cartográficas (2D e 3D) permitem desenvolver a cartografia temática que traduz o comportamento do território face à temperatura elevada, ponderando as  suas  várias componentes e respetivas  interacções, no presente e face aos cenários climáticos futuros.

Através do reforço da rede de estações meteorológicas, pretende-se aprofundar o conhecimento sobre o efeito climático e os fenómenos meteorológicos extremos na cidade e deste modo, individualizar áreas críticas, gerir a cidade em eventos disruptivos e propor estratégias de intervenção direcionada para mitigar efeitos diretos e indiretos expectáveis.


2)  Formular medidas de adaptação às ondas de calor através  de ferramentas de simulação:

A cartografia temática permite a conceção de modelos de simulação para identificação de áreas críticas de intervenção face aos efeitos das OC e simular, à micro-escala, o comportamento de variáveis em resultado da aplicação de medidas concretas: efeitos de variáveis dinâmicas (vento) na ICU, papel da infraestrutura verde e das superfícies de água na regulação do clima urbano, entre outros.

3) Promover a integração da adaptação em políticas sectoriais:

O aprofundamento do conhecimento obtido com os resultados deste projeto permite atuar de forma integrada em vários setores, tais como  Planeamento Urbano, Reabilitação Urbana,  Ambiente, Proteção Civil, Saúde, Desporto, Direitos Sociais, Governança e Finanças. Em particular, no que se refere ao Planeamento Urbano e Ambiente, pretende-se identificar, proteger e reforçar a biodiversidade dos ecossistemas naturais salvaguardando a qualidade do meio e a resiliência da cidade, realçando a importância das componentes como o ar, a água e zonas húmidas, o solo e vegetação, com efeitos diretos na regulação do clima urbano.

Como se concretiza o projeto Ondas de Calor em Lisboa?

Através da candidatura ao Programa Operacional da Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) – Eixo “Promover a adaptação às alterações climáticas e a prevenção e gestão de riscos”, e do cofinanciamento do FEDER/FC, serão produzidos para o Município de Lisboa um conjunto de instrumentos:

  • Cartografia Numérica Vetorial (à escala 1:1000)
  • Modelo Tridimensional da Ocupação Urbana Superficial
  • Estudo do Regime das Ondas de Calor na AML
  • Mapas Climáticos Urbanos
  • Identificação das Ilhas de Calor Urbano
  • Simulação para Áreas Críticas
  • Modelação do Balanço Energético da Cidade
  • Estações Meteorológicas Automáticas e Sensores

Ficha do Projeto

Designação do projeto: Cartografia de Vulnerabilidade Térmica -
Mapeamento dos efeitos das ondas de calor em Lisboa, face às projeções climáticas.
Código do projeto: POSEUR-02-1708-FC-000060
Objetivo principal: Promover a adaptação às alterações climáticas e a prevenção
e gestão de riscos na cidade de Lisboa
Data de aprovação: 18-05-2018
Data de início: 31-03-2018
Data de conclusão: 31-03-2020
Custo total elegível: 645.017,71 €
Apoio financeiro da União europeia: 483.763,28 € FEDER/FC
Apoio financeiro público nacional | regional: 161.254,43€ .

Para conhecer a candidatura apresentada  Opens external link in new windowclique aqui (128 KB)