Em 1980, voltou a ser premiado um edifício de escritórios (68), à semelhança do que tinha acontecido em 1971. Desta vez, volta a tratar-se de um edifício de gaveto situado no cruzamento da Rua Castilho n.º 223-233 com a Rua D. Francisco Manuel de Melo n.º 2-8, da autoria dos Arqt.ºs Manuel Salgado, Sérgio Coelho e Penha e Costa. Neste edifício, cuja promotora foi a Companhia Imobiliária de Turismo, Comitur, encontra-se, sobretudo, uma nítida preocupação para com a valorização do espaço, da qual resulta uma maior interiorização do público em todas as áreas do edifício. Esta interiorização procura fundamentalmente uma maior vivência dos espaços, e não o simples armazenamento de áreas de trabalho sem qualquer atrativo. Apesar do conceito inicial dos autores ainda estar implícito, atualmente, muito dos aspetos acima referidos já se perderam por completo na sequência das posteriores alterações que foram introduzidas e que a médio prazo levaram a uma alteração radical da estrutura do edifício.

No ano de 1981 o Prémio Valmor volta a não ser atribuído e dá-se início a uma nova fase na história dos Prémios, consequência das significativas alterações de que foi alvo o seu Regulamento. Deste modo, passou a ficar associado ao Prémio Valmor o Prémio Municipal de Arquitetura, permitindo, não só a atribuição de uma verba consideravelmente superior, como também uma maior dependência do Poder Político Camarário. Esta dependência ficará patente na modificação introduzida na composição do Júri que a partir de agora passará a contar com dois membros pertencentes à Câmara Municipal de Lisboa, um dos quais, o próprio Presidente da Câmara que passará a presidir todo o Júri.

O Prémio relativo ao ano de 1982 foi apenas atribuído em 1984, sendo a primeira obra a ser destinguida com o novo Regulamento em vigor. O conjunto habitacional da Encosta das Olaias (69), foi a obra escolhida, da autoria do Arqt.º Tomás Taveira, promovida por Fernando Martins. Caracterizada por uma excessiva rentabilização do solo disponível, a Encosta das Olaias destaca-se do tecido urbano da cidade, não pela originalidade das soluções arquitetónicas apresentadas, mas por uma implantação bastante compacta disposta ao longo das vias. Apresenta-se aqui uma arquitetura entendida enquanto espetáculo, com formas e cores exuberantes.

Deste conjunto faz ainda parte um bloco de comércio e escritórios e também um hotel, construídos posteriormente.

Relativo ao ano de 1982, foi também destinguido mais um edifício, neste caso uma Menção Honrosa, para a Escola Secundária José Gomes Ferreira (70), projetada pelos Arqt.ºs Raul Hestnes Ferreira, Jorge Gouveia e José Teixeira. Esta escola, localizada em Benfica, em paralelo com o conjunto habitacional de Tomás Taveira, levanta uma polémica entre uma Arquitetura de maior visibilidade através da cor, forma e dimensão urbana, e outra mais ponderada, verificada até então. Caracterizada por uma enorme clareza compositiva garantida pela utilização de geometrias elementares, transporta para o exterior uma imagem forte com uma dimensão que confere ao conjunto uma certa monumentalidade digna de referência.

Em contraste com o grande impacto das construções acima referidas, em 1983 não foi atribuído nenhum Prémio Valmor, mas apenas uma Menção Honrosa à remodelação (71) de uma habitação na Graça, da autoria dos Arqt.ºs António Marques Miguel, Manuel Graça Dias e António de Campos Barbosa Magalhães. Esta intervenção no n.º 46 da Rua da Senhora do Monte, praticamente invisível do exterior, destaca-se “pelo sentido de integração dos espaços interiores renovados, servindo as necessidades atuais sem prejuízo da forma existente”.

O edifício do Banco Fonsecas & Burnay (72) situado na Rua Castilho, esquina com a rua Barata Salgueiro, propriedade do banco acima referido, foi distinguido com o Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura relativo ao ano de 1984. À equipa autora, composta por sete arquitetos, chefiada pelo Arqt.º Carlos Tojal, o Júri teceu inúmeros elogios: “… um projeto bem desenhado e bem concebido, uma peça que marca uma época…”, que se destaca pela adoção de uma solução plástica e cromaticamente exuberante, num sítio particularmente complexo.

Em 1984 foi também atribuída uma Menção Honrosa ao Edifício Gemini (73), na Quinta das Freiras em Entre-Campos. Trata-se de um conjunto de dois Blocos Habitacionais unidos por um Centro Comercial, da autoria do Arqt.º João Monteiro Andrade e Sousa. Uma tipologia que nesta década se desenvolveu sob as mais diversas formas e dimensões um pouco por toda a cidade de Lisboa.

O ano de 1985 apresentou, até à data, um número recorde de obras premiadas. Ao todo foram dois Prémios Valmor ex-aequo e três Menções Honrosas.

Um dos edifícios premiados com o Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura foi o edifício de escritórios (74) do Banco Credit Franco Portugais, atual EDP, situado no cruzamento da Rua Castelo Branco n.º 46 com a Rua Ator Tasso n.º 13. Este edifício, da autoria dos Arqt.ºs Eduardo Paiva Lopes e Manuel Silva Fernandes, é uma obra bastante discreta quer no desenho da fachada, quer na organização do espaço interior, contrastando em muito com a exuberância do edifico acima referido, premiado no ano anterior.

A outra obra premiada com o galardão máximo foi um conjunto habitacional (75) no Lumiar, da autoria do Arqt.º Sérgio Menezes de Melo. Esta obra, de iniciativa camarária que teve como promotora a EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa), caracteriza-se por um grande conjunto urbano, formado por mais do que um edifício onde, quase todos, se apresentam com áreas comerciais que muito ficam a dever a uma solução de contornos ideais.

Relativamente às Menções Honrosas atribuídas, uma foi para o INETI (76) (Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial), da autoria dos Arqt.ºs José Mantero e João Mota Guedes, localizado na Estrada do Lumiar. Outra foi para um edifício de habitação (78) na Estrada do Poço do Chão em Carnide, do Arqt.º Rodrigo Rau cuja promotora foi a EPUL. Sendo a última atribuída à recuperação (77) de uma moradia no Largo da Oliveira n.º 4-4B, projetada pelo Arqt.º Armando de Matos Salgueiro, sob a promoção da Companhia de Seguros Império.

No ano de 1986 um outro conjunto habitacional (79) foi premiado, mas neste caso apenas com a Menção Honrosa, tendo ficado o prémio principal por atribuir. Quanto à Menção, da autoria do Arqt.º Rodrigo Rau, trata-se de mais uma obra da promotora EPUL, que na altura constituía já uma das empresas que maior contributo trazia à cidade, pela qualidade de arquitetura que as suas obras apresentavam. Neste conjunto de formas pouco extravagantes, a zona comercial, ao nível do piso térreo, não é esquecida.

O ano de 1987 ficou marcado pela atribuição de um Prémio Valmor ao Instituto Jacob Rodrigues Pereira (80) e de três Menções Honrosas.

Em relação ao edifício que mereceu o Prémio, trata-se de um equipamento educativo, de caráter excecional, pelo tipo de pessoas a que se destina. Segundo o Júri “…integra-se perfeitamente no conjunto pela função que desempenha como centro para deficientes, pelo cuidado posto na conceção dos espaços interiores e por se tratar de um projeto de equipamento público notável”. Da autoria do Arqt.º Rui de Sousa Cardim, cuja promotora foi a Casa Pia de Lisboa, localiza-se na Rua D. Francisco de Almeida n.º1, uma das principais obras de referência desta década.

As Menções Honrosas atribuídas em 87 premiaram ainda um conjunto habitacional (81) dos Arqt.ºs Nuno Teotónio Pereira, Nuno Portas e Pedro Botelho, situado na Rua Diogo Silves n.º 18; uma recuperação (82) de um prédio de habitação no Largo do Rilvas n.º 1-1A, da autoria do Arqt.º João Raposo de Almeida; e por último, um outro prédio de habitação (83) de construção original, projetado pelos Arqt.ºs António Flores Ribeiro e Diogo Lino Pimentel, para a Rua dos Navegantes n.º 38-38B.

O Prémio Valmor de 1988 foi atribuído por unanimidade ao edifício do Lloyds Bank (84), na Av. da Liberdade n.º 222, cujo projeto pertencente ao Arqt.º António Augusto Nunes de Almeida, foi requerido pelo Lloyds Bank Plc. Este edifício, muito elogiado na altura pelo Presidente de Câmara, é um exemplo da boa construção que se fazia na cidade, pelas referências modernistas patentes nas suas formas.

Além do edifício da Av. da Liberdade, foram também premiados com Menção Honrosa dois prédios de habitação e uma moradia unifamiliar, segundo o Júri “…representativos de cada uma das tipologias selecionadas e já previamente escolhidas”. Assim sendo, a Residência Paroquial de São Tomás de Aquino (85), da autoria dos Arqt.ºs José Eduardo Pires Marques, Nuno Moreira de Carvalho e José Barbedo de Magalhães, situada na Rua Ginestal Machado n.º13, foi uma das premiadas, tal como o edifício (86) localizado na Rua Gonçalo Nunes n.º 31-45, pertencente à EPUL, projetado pelos Arqt.ºs Nuno Teotónio Pereira e João Paciência. A moradia unifamiliar (87) do Arqt.º Vítor Manuel Afonso Alberto, construída na rua S. João Dias n.º 15, propriedade da EPUL, também se inclui no conjunto de edifícios premiados com a Menção Honrosa.

Em 1989 o Prémio Valmor foi atribuído ao conjunto habitacional (88), promovido pela Cooperativa Coociclo. O projeto da autoria dos Arqt.ºs Duarte Nuno Simões, Maria do Rosário Venade, Maria Teresa Madeira da Silva, Nuno da Silva Araújo Simões e Sérgio Almeida Rebelo, foi o primeiro ser premiado como um todo. Até à data muitos outros conjuntos habitacionais foram premiados, mas em termos legais o Prémio só era atribuído a um dos edifícios que o constituía.

Localizado na Rua Professor Queiroz Veloso n.º 2-38, o bairro integra 30 habitações, compostas por moradias em banda que foram implantadas numa área de 3.300 metros quadrados. Com este conjunto, tornou-se possível harmonizar convenientemente o espaço privado familiar com o espaço público, criando-se um território intermédio, que constitui, cada vez mais, um aspeto fundamental para a criação de boas soluções para a habitação urbana. A ocupação do conjunto que se apresenta disposta em três bandas paralelas às ruas, deixa o espaço interior do quarteirão livre para o convívio e lazer dos seus habitantes.

Neste ano foram ainda atribuídas duas Menções Honrosas a edifícios de habitação: um situado na Rua Professor Mark Athias n.º 4-6 (90), da autoria dos Arqt.ºs João Lopes da Silva, Luís Serrano Rodrigues e Rui Ferreira; e outro, que se apresenta como um restauro, dos Arqt.ºs José Vaz Pires, César Barbosa e Fernando Pinto Coelho, localizado na Rua do Quelhas n.º 48 (89), cuja promotora foi a Sociedade de Construção Civil Restauro.

Outros acontecimentos nesta década:

1980/85– Complexo das Amoreiras, Tomás Taveira

1983– XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura do Concelho da Europa; Intervenção na Casa dos Bicos, Manuel Vicente e José Santa-Rita ; Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém classificados como Património da Humanidade

1984– Edifício «Totobola» (IADE), Tomás Taveira

1985– Sede da Caixa Geral de Depósitos, Campo Pequeno, por Arsénio Cordeiro

1988– Incêndio no Chiado

Imagens

(68) Rua Castilho n.º 223-233 com a Rua D. Francisco Manuel de Melo n.º 2-8
(69) Rua Engenheiro Arantes e Oliveira, 4-4 A , Rua Aquiles Machado, 3-3N
(70) Escola Secundária de Benfica - Rua Professor José Sebastião e Silva
(71) Rua da Senhora do Monte, 46
(72) Rua Castilho 5-5B
(73) Edifício Gemini - Quinta das Freiras Lotes P,Q,R,S
(74) Banco Crédito Franco Portugais - Rua Castelo Branco n.º 46
(75) Rua Francisco Gentil 6-6E, 8-8E
(76) Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial - Azinhaga do Lumiar
(77) Estrada do Poço do Chão, 61
(78) Largo da Oliveira n.º 4-4B
(79) Empreendimento São Vicente -Rua Francisco Gentil. 32,38ª
(80) Instituto Jacob Rodrigues Pereira - Rua D. Francisco de Almeida n.º1
(81) Rua Diogo Silves n.º 18
(82) Largo do Rilvas n.º 1-1ª
(83) Rua dos Navegantes n.º 38-38B
(84) Lloyds Bank - Av. da Liberdade n.º 222
(85) Residência Paroquial de São Tomás de Aquino - Rua Ginestal Machado n.º13
(86) Rua Gonçalo Nunes n.º 31-45
(87) Rua S. João Dias n.º 15
(88) Cooperativa Coociclo - Rua Professor Queiroz Veloso n.º 2-38
(89) Rua Professor Mark Athias n.º 4-6
(90) Rua do Quelhas n.º 48