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Prémio Valmor 2005 : Edifício da Vodafone, no Parque das Nações

Autores: Arquitetos Alexandre Burmester e José Carlos Cruz Gonçalves

Promotor: Vodafone


A inserção de um edifício numa localização condicionada a um todo maior; neste caso, o Plano do Parque das Nações, nunca é um a priori evidente nem liberto de conflito. Por um lado, o projeto condiciona-se necessariamente à sua grande dimensão e complexidade programática e, por outro, à vontade posta no controlo de uma imagem proposta subjacente a topografias circunstanciadas a hierarquias de geometrias identificáveis, mas também a uma vista privilegiada. Constitui uma intervenção de exuberante plasticidade e de grande inovação arquitetónica e também tecnológica.

Ocupando uma área com cerca de 14 000 m2, apresenta um embasamento retangular donde se destacam dois corpos (blocos Norte e Sul) parcialmente vazados. Estes dois volumes estão interligados, ao nível dos pisos 7, 8 e 9, por um corpo “aéreo” a Nascente e do lado oposto por uma parede em betão branco que constitui a fachada principal do Edifício: esta parede é vazada ao nível do plano da rua e apresenta um rasgamento superior numa transparência entre exterior e interior. A disposição volumétrica e a libertação do piso de r/c ao nível da Av. D. João II permitem um atravessamento do espaço e o enquadramento panorâmico perfeito do rio, ponte e Pala do Siza.

O piso térreo entre estes volumes forma a praça interna, um grande pátio e uma praça quadrada ligada à zona comercial, onde existem zonas verdes e espelhos de água que em simbiose refletem esta arquitetura e as superfícies espelhadas da mesma tonalidade dos envidraçados.

As fachadas voltadas para a praça (pátio) que dispõem desta vista privilegiada, apresentam uma configuração e fenestração com abundância de luz distinta das voltadas para os arruamentos circundantes (Av. do Pacifico e Rua do Caribe).

As fachadas voltadas para estes arruamentos apresentam uma morfologia distinta com o sistema em “Curtain Wall” e cuja estudada configuração nos permite várias leituras. Podemos observar como o ritmo do edifício muda continuamente.

Atribuindo-lhe transparências e diferentes escalas, com se de várias “peles” que se vestem, o Edifício, tem uma grande escala urbana de inserção no Parque das Nações, uma escala de rua com as suas envolventes, outra escala interior pelos espaços que cria, e finalmente outras diferentes escalas para quem o habita, uma grande escala de inserção no parque das Nações, uma escala de rua, uma escala interior e outra para quem o habita. (M.D. Projeto)
A arquitetura conseguiu, de facto, um espaço exterior particularmente rico e interativo com o espectador, com perspetivas em contínua mutação, multiplicadas pelos infinitos ângulos de visão, lembrando-nos que a arquitetura é uma arte dinâmica e que por isso tem que ser pensada por um espectador em movimento.

O jogo de volumes e a eficaz e natural combinação de materiais betão, alumínio e o vidro de tonalidade verde, proporcionam uma intencional e simultânea aparência de peso e leveza.
Sobre o edifício Walter Rossa refere: “Também ao nível da solução do tratamento das superfícies e da resolução dos problemas da fachada das fenestrações e das aberturas, desenvolveu um tema que são aqueles volumes, aquelas peças romboides que lembram alguns temas da arquitetura do Renascimento. Será possível estabelecer uma analogia entre este edifício e a Casa dos Bicos, uma espécie de reinterpretação contemporânea à semelhança de outro edifício que fez carreira por ter tido um atrevimento ao mesmo nível: O “Franjinhas” da Rua Braamcamp.”

O Júri “salientou as características emblemáticas e a qualidade e criatividade indiscutíveis da arquitetura do edifício da Vodafone “.