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Candidaturas à Unesco

A Comissão Nacional da UNESCO, entidade responsável pelo acompanhamento da Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural em Portugal, aprovou as duas candidaturas da Câmara Municipal de Lisboa à Lista Indicativa de Portugal a Património Mundial: “Lisboa Histórica, Cidade Global” e “Lisboa Pombalina”, no quadro da atualização das Listas Indicativas dos Estados, o que ocorre a cada 10 anos.

Seguidamente, a lista indicativa atualizada será remetida ao Centro do Património Mundial da UNESCO para aprovação pelo Comité do Património Mundial, estabelecendo um novo quadro de referência para a apresentação de candidaturas portuguesas à Lista do Património Mundial.

A candidatura “Lisboa Histórica, Cidade Global” fora aprovada, por unanimidade, em reunião de Câmara realizada no passado dia 13 de janeiro de 2016. A proposta foi subscrita pelos Vereadores Manuel Salgado e Catarina Vaz Pinto, tendo sido articulada com os Deputados Municipais Simonetta Luz Afonso e Victor Gonçalves, presidentes da Comissão de Cultura e da Comissão de Urbanismo, respetivamente, da Assembleia Municipal de Lisboa.

Trata-se de uma candidatura construída segundo a abordagem Paisagem Urbana Histórica, abordagem que se estende além da noção de centro histórico, mais abrangente e integrada, que valoriza o contínuo histórico e espacial.

A candidatura realça o palimpsesto da cidade, constatável nas diferentes camadas no território e culturais, cidade em constante adaptação e transformação, o que lhe confere as características de cidade evolutiva. Identifica dois momentos da cidade que constituíram marcos decisivos na sua evolução - os Descobrimentos, no século XV, e o Terramoto, no século XVIII - momentos em que a cidade se atualizou adotando as correntes do pensamento inovador da Europa. A cidade medieval cresceu até ao rio e transformou-se na cidade global que mais tarde se soube reconstruir como iluminista. Desta evolução, em constante adaptação a um relevo complexo e afeiçoando-se à pré-existência, resulta a Lisboa Histórica, singular entrelaçado de tecidos urbanos, testemunho de uma história milenar de intercâmbio de culturas, povos e religiões.

O bem proposto integra o território envolvido pela Cerca Fernandina, que abrange os tecidos urbanos mais antigos da cidade, os núcleos de Santa Clara, São Vicente e Mouraria, os colégios jesuítas (Santo Antão-o-Velho, Santo Antão-o-Novo e Noviciado da Cotovia), enquanto locais de ensino de matérias científicas que constituíram grande contributo para a navegação, o Bairro Alto e o Mocambo, bairros criados na sequência dos Descobrimentos, e a frente ribeirinha, entre o Cais do Sodré e Santa Apolónia. Inclui ainda os principais miradouros da cidade, que permitem uma sucessão de pontos de vista de elevada qualidade cénica. 

 

A candidatura “Lisboa Pombalina” integrava a Lista Indicativa de Portugal desde 2004, então designada Baixa Pombalina. Foi candidatada à nova Lista Indicativa, tendo sido o conteúdo reorganizado para preenchimento do atual formulário da UNESCO.

A área proposta foi, até ao terramoto de 1 de Novembro de 1755, centro político e comercial da cidade, onde se situava o palácio real rodeado de um emaranhado medieval de ruas repletas de comércios tradicionais e de novos produtos proporcionados pelos Descobrimentos e pelo comércio com as Índias. Apesar de ter sofrido um terramoto, um maremoto e um incêndio que ficaram nos Anais da História como o primeiro «desastre moderno» e referência internacional de uma gravíssima destruição e perda de pessoas e de patrimónios incalculáveis, esta ocupação humana e civilizacional foi restabelecida.

A reconstrução, iniciada em 1756, foi executada segundo um plano ortogonal totalmente inovador, fruto único e paradigmático da escola urbanística portuguesa. O plano, desenvolvido sob o regime autocrático iluminado do Marquês de Pombal, foi proposto por Manuel da Maia e concretizado sob a direcção dos engenheiros militares Eugénio dos Santos e Carlos Mardel. 

A área proposta para inserção na Lista Indicativa de Portugal corresponde morfologicamente ao plano de reconstrução da cidade, aprovado em 1758, incluindo a Baixa Pombalina entre o antigo Terreiro do Paço (hoje Praça do Comércio), alargada à colina do Chiado e à freguesia da Misericórdia, adjacente ao rio.