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Prémio Valmor 2004 : Complexo de habitação, serviços e comércio Terraços de Bragança

Autor: Arquitecto Siza Vieira

Promotor: Imopólis-Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, SA


O Complexo Terraços de Bragança preenche um lote com área de aproximadamente de 5 000 m2, confinante a Poente com Rua do Alecrim e a Nascente com a Rua António M. Cardoso, numa zona histórica perfeitamente consolidada. Esta obra resulta da preocupação do seu autor em criar uma relação de continuidade com a envolvente da sua interpretação atenta do território do que já lá está inscrito, das suas características básicas estruturantes, que remontam pelo menos até aos princípios do sec.XIV, data em que terá sido concluída a Muralha Fernandina.

Segundo Walter Rossa “Estamos perante uma obra emblemática por se tratar do último lote do terramoto que estava por reedificar, com valor patrimonial elevado por conter um pedaço da Muralha Fernandina. Conseguiu introduzir-se no local uma obra contemporânea que encontrou uma forma de composição harmónica com as métricas da arquitetura pombalina do Cais do Sodré ao Chiado. É também muito curiosa a introdução do revestimento a azulejo, temática que surge em Lisboa a partir do sec. XVIII e XIX e que é aqui recriada”.

As demolições levadas a cabo no terreno revelaram um trecho da muralha, hoje visível, assim como o torreão e porta de acesso à cidade, no seu extremo sudoeste, e também um conjunto de fundações em alvenaria, que se presume pertencerem à fábrica de Cerveja Jansen; este conjunto divide o terreno aproximadamente a meio no sentido longitudinal.

Estes elementos constituíram um dos pontos de partida para a implantação dos edifícios, assegurando em forte medida os termos de adequação e contextualização face ao lugar.

Neste contexto e numa certa lógica formal, na frente da rua do Alecrim o autor cria um conjunto de três edifícios, separados entre si de modo a permitir a lançar as vistas de dentro para a rua ou para o interior do lote – onde uma zona ajardinada entre estes conjuntos envolve o legado histórico -, estando alinhado na continuidade do edificado existente pela face da rua. O programa de ocupação é semelhante: os pisos térreos (1 ou 2 conforme os casos) destinam-se a comércio e os pisos superiores a escritórios e habitação. Na zona alta confinante com a Rua António Maria Cardoso, é criado um conjunto de dois edifícios destinados a habitação, cujo contacto com o solo é feito por meio de pilares com grandes vãos entre si, projetados de modo a salvaguardar as ruínas existentes da Muralha Fernandina.

O Júri “salientou a importância da obra Terraços de Bragança em termos de enquadramento e reabilitação urbana, a dificuldade de construir no local pela preservação das ruínas existentes da Muralha Fernandina, pela clivagem topológica geográfica que divide o terreno assumida em termos morfológicos pelo projeto. Foi ainda salientada a solução de contemporaneidade e a espacialidade interior resolvida em termos escultóricos e cenográficos”.